Retrospectiva: Acesso IPv6 na região da América Latina e o Caribe (LAC)

Neste ano desejo escrever um texto um pouco diferente aos anteriores. Por quê? Porque existem diferentes aspectos aos dos anos anteriores, vou falar apenas de dois para não me estender e para respeitar os seus tempos.

a) Este vai ser meu último período como moderador da lista. Não vou me candidatar para 2015-2017 (de aqui a pouco haverá uma chamada para candidatos), e

b) Na mina opinião pessoal, a implementação do IPv6 neste ano tem sido significativa na região da LAC.

Com base no exposto, pontualmente no item número 2 e levando em conta que o ano 2014 está finalizando, este é o melhor momento para usar a palavra “Retrospectiva”, definida na Wikipédia [1] como: “… rever e relembrar eventos que já ocorreram…”, vamos  comentar acerca disso na nossa região.

Vou deixar para vocês a minha humilde análise mesmo sem ser estatista e escritor.

1) O Caso Peru:
Este caso específico tem sido muito discutido na lista. Tanto assim que levou a uma das mais tormentosas trocas de correios nos últimos anos [2], [3] e [4].

Neste momento, segundo os dados do Google, a penetração do tráfego IPv6 no país é 10%, sendo o único país da região com dois dígitos e que se aproxima ao grupo mundial de países com  penetração maior a 10% junto com a  Alemanha (12.35), USA (10.95), Suíça (10.28) (espero não ter esquecido nenhum país).

Como informação adicional, desde LACNIC temos começado o observatório de tráfego IPv6 para os países de nossa região em maio deste ano, especificamente para o Peru, nossas primeiras medições devam na época um grau de penetração de 4.6%, observando quedas até de 3.4%. Depois do dia 18 de junho apreciamos um crescimento sustentado de tráfego IPv6, ultrapassando como foi dito acima, o 10%.

2) O Caso Equador
O Equador é um país com uma taxa relativamente baixa de penetração da Internet na população (35% para  2012 segundo [6]) porém com uma infraestrutura que tem melhorado notavelmente nos últimos 2.5 anos – segundo [7]-.  Por isso vou trabalhar na base de que o Equador tem uma penetração da Internet de 40%.

Para nosso observatório, o Equador é o país com maior velocidade de adoção do IPv6 na região, em menos de 60 dias passaram de ter menos de 1% a mais de 3.6%.

Considerando que 40% de ~16.000.000 da população tem Internet dizemos que passaram de: 64.000 assinantes para 229.000 entre outubro e dezembro.

3) O caso do Brasil
Para este caso em particular eu houvesse querido chegar a estatísticas de dispositivos conectados, computadores no país, mas não consegui obter  dados atualizados (apenas até 2011), mas do mesmo jeito eu queria apontar:

Segundo [5], o Brasil tem 202.000.000 de habitantes, em que 107.822.831 (2014) são usuários da Internet, os que representam 53% da população.

Com base em que, neste momento, a taxa de penetração de IPv6 para este país indica 0.17% podemos assumir que há 183.298 usuários.

Tenho certeza que muitos irão pensar que o número é baixo, mas desde maio de 2014 até meados de agosto foi um número fixo de 0.03%, isto é, apenas 60.000 usuários, o número de assinantes aumentou mais de 280.000 em um período de 7 meses, isso significa um aumento maior a 400%.

Finalmente, dá para perceber que aumentar a percentagem de um país como o Brasil é muito complexo devido a sua enorme população. Se falarmos de qualquer outro país, um aumento de 200.000 assinantes afeta bastante os termômetros do IPv6.

4) O caso da Bolívia

A Bolívia parece ser um evento MUITO importante mas que está ocorrendo deforma despercebida.  Não houve discussão na lista e, pessoalmente, não tenho ouvido muito (nada?) na mídia.

Mas definitivamente eles merecem um aplauso, nossos respeitos e nossos parabéns.

Hoje, o país tem  ~0.70% do tráfego do IPv6, tendo começado sua implementação no meio do ano com maior ênfase no final de agosto.

Por agora, o número global do país não está aumentando de forma significativa, porque, aparentemente, é um pequeno fornecedor (cooperativa), que está realizando a implantação. Da mesma forma, mais uma vez estendo meus parabéns.

5) A média da LAC
Dentro das medições realizadas por LACNIC temos calculado a média dos países da região, que atinge cerca de 0.5%.

Segundo a minha visão, o ponto para salientar na LAC é que para meados de junho a percentagem era 0.12%…, quer dizer que no período de seis meses quadruplicou a adoção do IPv6 na região.

Que se espera para  2015?
Indiscutivelmente todos nós queremos uma implementação muito forte para o próximo ano na região da LAC. Lembro que começando 2014 eu previ 0.4% para o fim do ano e, felizmente, eu fiquei curto (estou muito feliz de ter errado!!!)

Minha predição -e estou falando apenas para que fique público-, é que em 2015 vamos atingir 2.5%, mas na verdade, não é fácil ter certeza, quem sabe fica até mais difícil que dar o prognóstico do tempo e do futebol juntos.  São muitas as organizações que sabemos estão implementando o IPv6, tais como universidades, governos, ISP, em todos os países e em todas as regiões. Obviamente, eu espero ficar curto com esses dados, mas apenas indicar 5 vezes o número atual é bastante promissor.

Mais uma vez: alguma killer application?

Eu quero mencionar algo muito marcante que aconteceu várias vezes neste ano e eu acho que é um grande motivador:

Houve muitas empresas na LAC que queriam se conectar com empresas na Ásia… Na LAC tinham IPv4 mas na Ásia não, isto é, necessitavam o IPv6 para se comunicar, isso provocou com que o ISP na nossa região tivesse que implementar o IPv6 de forma urgente para não perder o cliente. Com isso, devemos lembrar que os países não estão sozinhos, a Internet não tem fronteiras, os países precisam se comunicar com o resto do mundo. Os países que não implementarem o IPv6 correm o risco de ficar isolados. Quem sabe vocês ainda têm o IPv4 mas do outro lado não necessariamente vão ter.

Alejandro Acosta,
Moderador LACTF
Chair FLIP6