A triste história de um ISP sem IPv6

Alejandro Acosta

Era uma vez, há pouco tempo atrás, um ISP muito grande que dominava as telecomunicações de um país, se sentia poderoso e sem concorrência. Quando alguém precisava se conectar a Internet sempre concorria a ele. Tinha uma penetração no mercado invejável para todos.

No entanto, este ISP tão grande nunca quis implementar IPv6, ele pensava que tinha suficientes endereços IP para se abastecer, não percebia qualquer indicador que dissesse: eu tenho que ter o novo protocolo.

Durante esses anos, outro pequeno ISP sim implementou o IPv6, começou a crescer lentamente, percebeu que o protocolo sim marcava uma diferença em seus clientes, ganhava usuários graças ao suporte desse protocolo. Sua penetração no mercado aumentava, ganhava mais dinheiro e mais respeito. Pelo fato de ter crescido tanto, conseguia melhores preços de equipamentos, de tráfego, de interconexão. Tudo ia muito bem. O ISP pequeno simplesmente não podia acreditar, uma coisa tão simples de ser implementada como o IPv6 dava uns resultados inimagináveis. Seus clientes diziam pra ele que tinha que criar VPN e conferências com outras partes do mundo, que suas filiais, clientes e parceiros de negócios na Europa e Ásia já tinham o IPv6, portanto o IPv4 não era importante para eles.

O ISP grande, a pesar de ser tão poderoso começou a ter problemas internos, mas não eram problemas de faturamento ou dinheiro. Eram reclamações do pessoal encarregado das vendas que não podiam fechar as mesmas porque os clientes começaram a pedir o IPv6 e eles, sendo tão grandes e importantes, simplesmente não tinham. Os clientes corporativos pediam o IPv6, usuários residenciais também requeriam o mesmo, inclusive grandes licitações do estado.

Quando isso começou a acontecer, o Gerente de Vendas foi reclamar aos departamentos de Produto, Engenharia e Operações. Esses últimos ficaram sem o que dizer e alguns funcionários foram removidos pelos empresários. No final, o departamento de vendas não se importava de quem era o erro, simplesmente não podiam obter novos clientes. Mais tarde, alguns vendedores ao perceber que estavam perdendo clientes, foram contratados pelo ISP pequeno que estava procurando pessoal, já que agora podia pagar grandes vendedores porque na realidade já não era tão pequeno assim. Aconteceu a mesma coisa com o chefe de redes do ISP grande que sabia muito do IPv6 mas a burocracia não tinha permitido que ele levasse a produção o novo protocolo. Logicamente, o chefe de redes trouxe a seu administrador de servidores de confiança e seu pessoal de segurança. O ISP grande não podia acreditar o que estava acontecendo. Os vendedores do ISP grande contratados pelo ISP pequeno vinham com sua enorme carteira de clientes, todos potenciais para serem instalados.

Estava por vir uma debandada de clientes do ISP grande. Passavam os meses e o ISP pequeno já não oferecia apenas Internet: sua Data Center era muito maior, importantes empresas trouxeram servidores novos, de cachê e muito mais. Agora ofereciam co-location, hosting, virtual hosting, voz, vídeo e mais.

Quando o provedor grande quis implementar o IPv6, teve que fazer as coisas as pressas, portanto as coisas não saiam bem, muitos erros, além de que consultores e empresas se aproveitaram de seus problemas e cobravam muito mais para fazerem os trabalhos com a urgência requerida. Aumentou o downtime de rede, as ligações ao call center e a sua prestigiosa reputação desmoronou.

Como é de se esperar, no final da historia todos na conto: clientes e provedores acabaram implementando IPv6, uns mais felizes do que os outros mas todos com o IPv6 nas suas redes.

Lento mas seguro: a implementação do IPv6 na América Latina e o Caribe

Por Jorge Villa *

Os criadores do IPv6 desde seus inícios, visionavam que a Internet que hoje desfrutamos, usaria esse novo protocolo como base da comunicação. Porém, isso  não tem acontecido, por diversos motivos, que vão de aspectos puramente econômicos até uma fraca compreensão da importância do IPv6 para a atual e futura Rede de Redes, em que a mobilidade e a integração das “coisas”, dados e processos estão mudando muitos paradigmas e provocando uma nova onda de inovação.

Apesar dos esforços realizados por promover e adotar o novo protocolo, no final de 2014, o tráfego sobre o IPv6 foi apenas 5% do total na Internet (segundo dados do Google). Embora pudesse parecer para alguns um número desprezível, é interessante avaliar a tendência de crescimento, já que no começo de 2013, apenas atingia 1% do tráfego. O crescimento nos últimos 24 meses tem sido quase exponencial, e o ritmo ainda é ascendente.

Combinando dados do Google e  APNIC, é possível perceber que as áreas com maior visibilidade no que diz respeito à penetração do IPv6 são a Bélgica, Suíça, Luxemburgo, Alemanha, Estados Unidos, Noruega, França, România e Peru (principal representante  da região na lista). Resulta interessante que áreas com trabalho estável quanto ao IPv6 como o Brasil e países asiáticos (destacando a China e a Índia) ainda não apareçam em posições de destaque na estatística.

Desde setembro do ano passado começaram a vigorar as políticas restritivas para designação de endereços IPv4 nos cinco Registros Regionais da Internet (RIR). Ainda quando é possível obter endereços IPv4 sob determinadas condições, resulta cada vez mais difícil propor crescimentos sustentados usando o IPv4. Salvo AFRINIC, o registro da África, os outros Registros Regionais dispõem de pouca quantidade de endereços, e o mesmo acontece com o Registro Central (operado pela IANA) que se alimenta de blocos de endereços IPv4 que têm sido recuperados para depois serem realocados de forma equitativa entre as cinco regiões geográficas em que o mundo da Internet está dividido. Essa situação deverá, necessariamente, levar a uma maior adoção do IPv6.

No caso particular da região da América Latina e o Caribe, a maior percentagem de designações IPv6 que tem realizado LACNIC foram para Provedores de Serviços da Internet (ISP)e Registros Locais da Internet (LIR), ocupando o segundo lugar no mundo nessa modalidade (depois da Europa). Quanto a designações para organizações que não revendem serviços a terceiros (conceitualizados como usuários finais nesse contexto), nossa região apenas supera a África. Apesar desses números, LACNIC detém a maior percentagem de usuários com blocos de endereços IPv4 e IPv6.

O fato de que a maioria de quem possui prefixos IPv6 na América Latina e o Caribe sejam LIR/ ISP pressagia que a região está atualmente em condições favoráveis para um crescimento significativo no uso desse protocolo. O Brasil lidera amplamente o total de designações, seguidos a distancia pela Argentina;  enquanto que a Colômbia, México e Chile estão no mesmo caminho mas alguns passos mais afastados.

No entanto, o esforço para integrar o IPv6 a grande escala na atual infraestrutura da Internet, não  pode ser realizada apenas por parte da comunidade de números da Internet. . É vital  no processo o envolvimento de  todos os setores tais como governos, sociedade civil, operadores de redes, desenvolvedores de aplicativos e conteúdos, entre outros.

A Corporação para a Designação de Números e Nomes na Internet (ICANN) é a responsável da coordenação global do sistema de identificadores únicos da Internet e de seu funcionamento estável e seguro.  Sua concepção inclui a participação de diferentes setores envolvidos e interessados no desenvolvimento da Internet. Nesse cenário, a única representação da comunidade de números é a Organização de Apoio para Endereços (ASO).

No Conselho de Endereços (AC) da ASO, hoje represento à região latino-americana e caribenha. Embora nossa principal responsabilidade está baseada na criação de políticas globais que dirigem o trabalho entre o Registro Central e os RIR, durante várias das últimas reuniões da ICANN (aproveitando a composição multissetorial da plateia) temos preparado e ministrado tutoriais sobre o IPv6. Da mesma forma, estabelecemos sessões de trabalho com os diferentes setores presentes, visibilizando o trabalho da comunidade de números. No próximo mês, em Singapura, será realizada a primeira reunião anual da ICANN em 2015. Felizmente, em junho será celebrada a segunda reunião em Buenos Aires, na Argentina, que deve ser uma nova oportunidade para promover a adoção do IPv6 na região.

Com o IPv6, a América Latina e o Caribe tem a oportunidade de participar com vantagem nessa mudança global da Internet. Devemos confiar em nossas forças e capacidades, obter resultados e não desperdiçar o momento, à espera de um guia por parte dos países mais desenvolvidos, porque mais uma vez ficaríamos para trás e não poderíamos implementá-lo corretamente.

  • Representante da região latino-americana e caribenha no Conselho de Endereços (AC) da ASO.

Retrospectiva: Acesso IPv6 na região da América Latina e o Caribe (LAC)

Neste ano desejo escrever um texto um pouco diferente aos anteriores. Por quê? Porque existem diferentes aspectos aos dos anos anteriores, vou falar apenas de dois para não me estender e para respeitar os seus tempos.

a) Este vai ser meu último período como moderador da lista. Não vou me candidatar para 2015-2017 (de aqui a pouco haverá uma chamada para candidatos), e

b) Na mina opinião pessoal, a implementação do IPv6 neste ano tem sido significativa na região da LAC.

Com base no exposto, pontualmente no item número 2 e levando em conta que o ano 2014 está finalizando, este é o melhor momento para usar a palavra “Retrospectiva”, definida na Wikipédia [1] como: “… rever e relembrar eventos que já ocorreram…”, vamos  comentar acerca disso na nossa região.

Vou deixar para vocês a minha humilde análise mesmo sem ser estatista e escritor.

1) O Caso Peru:
Este caso específico tem sido muito discutido na lista. Tanto assim que levou a uma das mais tormentosas trocas de correios nos últimos anos [2], [3] e [4].

Neste momento, segundo os dados do Google, a penetração do tráfego IPv6 no país é 10%, sendo o único país da região com dois dígitos e que se aproxima ao grupo mundial de países com  penetração maior a 10% junto com a  Alemanha (12.35), USA (10.95), Suíça (10.28) (espero não ter esquecido nenhum país).

Como informação adicional, desde LACNIC temos começado o observatório de tráfego IPv6 para os países de nossa região em maio deste ano, especificamente para o Peru, nossas primeiras medições devam na época um grau de penetração de 4.6%, observando quedas até de 3.4%. Depois do dia 18 de junho apreciamos um crescimento sustentado de tráfego IPv6, ultrapassando como foi dito acima, o 10%.

2) O Caso Equador
O Equador é um país com uma taxa relativamente baixa de penetração da Internet na população (35% para  2012 segundo [6]) porém com uma infraestrutura que tem melhorado notavelmente nos últimos 2.5 anos – segundo [7]-.  Por isso vou trabalhar na base de que o Equador tem uma penetração da Internet de 40%.

Para nosso observatório, o Equador é o país com maior velocidade de adoção do IPv6 na região, em menos de 60 dias passaram de ter menos de 1% a mais de 3.6%.

Considerando que 40% de ~16.000.000 da população tem Internet dizemos que passaram de: 64.000 assinantes para 229.000 entre outubro e dezembro.

3) O caso do Brasil
Para este caso em particular eu houvesse querido chegar a estatísticas de dispositivos conectados, computadores no país, mas não consegui obter  dados atualizados (apenas até 2011), mas do mesmo jeito eu queria apontar:

Segundo [5], o Brasil tem 202.000.000 de habitantes, em que 107.822.831 (2014) são usuários da Internet, os que representam 53% da população.

Com base em que, neste momento, a taxa de penetração de IPv6 para este país indica 0.17% podemos assumir que há 183.298 usuários.

Tenho certeza que muitos irão pensar que o número é baixo, mas desde maio de 2014 até meados de agosto foi um número fixo de 0.03%, isto é, apenas 60.000 usuários, o número de assinantes aumentou mais de 280.000 em um período de 7 meses, isso significa um aumento maior a 400%.

Finalmente, dá para perceber que aumentar a percentagem de um país como o Brasil é muito complexo devido a sua enorme população. Se falarmos de qualquer outro país, um aumento de 200.000 assinantes afeta bastante os termômetros do IPv6.

4) O caso da Bolívia

A Bolívia parece ser um evento MUITO importante mas que está ocorrendo deforma despercebida.  Não houve discussão na lista e, pessoalmente, não tenho ouvido muito (nada?) na mídia.

Mas definitivamente eles merecem um aplauso, nossos respeitos e nossos parabéns.

Hoje, o país tem  ~0.70% do tráfego do IPv6, tendo começado sua implementação no meio do ano com maior ênfase no final de agosto.

Por agora, o número global do país não está aumentando de forma significativa, porque, aparentemente, é um pequeno fornecedor (cooperativa), que está realizando a implantação. Da mesma forma, mais uma vez estendo meus parabéns.

5) A média da LAC
Dentro das medições realizadas por LACNIC temos calculado a média dos países da região, que atinge cerca de 0.5%.

Segundo a minha visão, o ponto para salientar na LAC é que para meados de junho a percentagem era 0.12%…, quer dizer que no período de seis meses quadruplicou a adoção do IPv6 na região.

Que se espera para  2015?
Indiscutivelmente todos nós queremos uma implementação muito forte para o próximo ano na região da LAC. Lembro que começando 2014 eu previ 0.4% para o fim do ano e, felizmente, eu fiquei curto (estou muito feliz de ter errado!!!)

Minha predição -e estou falando apenas para que fique público-, é que em 2015 vamos atingir 2.5%, mas na verdade, não é fácil ter certeza, quem sabe fica até mais difícil que dar o prognóstico do tempo e do futebol juntos.  São muitas as organizações que sabemos estão implementando o IPv6, tais como universidades, governos, ISP, em todos os países e em todas as regiões. Obviamente, eu espero ficar curto com esses dados, mas apenas indicar 5 vezes o número atual é bastante promissor.

Mais uma vez: alguma killer application?

Eu quero mencionar algo muito marcante que aconteceu várias vezes neste ano e eu acho que é um grande motivador:

Houve muitas empresas na LAC que queriam se conectar com empresas na Ásia… Na LAC tinham IPv4 mas na Ásia não, isto é, necessitavam o IPv6 para se comunicar, isso provocou com que o ISP na nossa região tivesse que implementar o IPv6 de forma urgente para não perder o cliente. Com isso, devemos lembrar que os países não estão sozinhos, a Internet não tem fronteiras, os países precisam se comunicar com o resto do mundo. Os países que não implementarem o IPv6 correm o risco de ficar isolados. Quem sabe vocês ainda têm o IPv4 mas do outro lado não necessariamente vão ter.

Alejandro Acosta,
Moderador LACTF
Chair FLIP6

Um sinal de alarme

“A região não está preparada” para usar o IPV6 porque a grande maioria dos operadores e organizações da América Latina e o Caribe está “esperando que seus recursos IPv4 acabem” para “começar a pensar” no último protocolo da Internet, garante de forma acentuada Jaris Aizprúa, engenheiro na Huawei e participante ativo das oficinas de IPv6 de LACNIC.

Jaris afirma que as organizações deveriam tomar consciência hoje da necessidade do IPv6 “e não quando começarem a se esgotar suas reservas de IPv4”.

Em diálogo com LACNIC News, Aizprúa afirma que o primeiro passo para o IPv6 deve ser uma capacitação sobre o imperativo de usar esse protocolo.

O grande desafio é usar o IPv6 após o esgotamento do IPv4. A região está preparada? Tem sido realizado o esforço suficiente para evitar o freio do desenvolvimento da Internet?

Sobre estar preparados, eu acho que não, já que temos esperado o esgotamento dos recursos IPv4 para começar a pensar no IPv6.

As empresas da região estão cientes da necessidade de usar o IPv6?

A maioria ainda não, já que ainda dispõem de recursos IPv4 suficientes como para pensar no IPv6; de fato, uma vez que ainda têm conexão à Internet, ficam despreocupados do IPv6.

O que você considera que faz falta para impulsionar o último protocolo da Internet na América Latina?

As pessoas deveriam tomar consciência hoje da necessidade do IPv6 e não quando começarem a se esgotar suas reservas de IPv4; a capacitação é uma questão prioritária, não tanto do ponto de vista técnico mas especificamente sobre a necessidade do IPv6.

Em sua opinião, o que pode acontecer na região se alguns países avançarem mais do que outros na implementação e uso do IPv6?

Eles poderão aproveitar os benefícios do IPv6 ao máximo, por exemplo, a conectividade End-to-End, a Internet das coisas, etc.

Como é a situação da implementação do IPv6 no Equador?

Muito fraca. Na atualidade, apenas um ISP fornece IPv6 a usuários residenciais, o que é considerado um grande avanço se pensarmos que esses usuários são os que mais demandam recursos IPvX e tráfego da Internet; o resto dos provedores ainda não estão fazendo, as empresas também não têm habilitado IPv6 nos seus serviços, principalmente as entidades de governo as que deveriam ter prioridade pelo alto tráfego local existente na atualidade.

 

Sem o IPv6 os “países não poderão se comunicar uns com os outros”

Sem o IPv6 os “países não poderão se comunicar uns com os outros”

A América Latina e o Caribe vivem uma situação díspar em relação à adoção do mais recente protocolo da Internet, o IPv6, apesar dos esforços de LACNIC e da comunidade para acelerar sua expansão e uso no continente. De um lado, há países que têm avançado e já têm até 9% do seu tráfego com esta tecnologia, e do outro há territórios que não têm sequer implantado o IPv6.

Alejandro Acosta, engenheiro de inovação e desenvolvimento de LACNIC, afirma que existe um grande risco de que os países não possam se comunicar uns com os outros por falta da adoção desse protocolo da Internet que oferece grandes vantagens respeito ao anterior, o IPv4.

Durante o evento de LACNIC no Chile, Acosta

Você acha que as empresas e organizações da região são cientes da importância do uso do IPv6?

É uma pregunta complexa. Há muitas organizações que sim são cientes dessa realidade e, portanto têm realizado trabalhos a esse respeito. Porém, a maioria das organizações na América Latina e o Caribe, tenho certeza de que ainda não tomaram consciência. Eu acredito que 2015 vai ser um ano muito significativo na difusão e adoção do IPv6 por parte das organizações privadas.

Que está faltando para dar maior impulso ao IPv6?

Eu acho que é uma combinação de muitas coisas. Os governos têm que tomar uma posição mais firme respeito a essa situação no sentido de incentivar a adoção do IPv6 em seus países. Os ISP, os usuários, os internautas e as universidades também podem ajudar na difusão do protocolo.

Que poderia acontecer na região da América Latina e o Caribe se alguns países avançarem mais no IPv6 do que outros?

Esta questão tem sido debatida muito na Europa onde há níveis dispares de desenvolvimento, e a resposta é muito simples: infelizmente, os países que se atrasem, vão ficar isolados, porque a Internet não tem fronteiras e os países têm o imperativo de se conectar com o mundo. Que vai acontecer? Países que tiverem adotado o IPv6 e quiserem se conectar com o país que ainda não tiver adotado, não vão poder se comunicar com eles. Isso afetará as organizações que estão em ambos os países. E isso já tem acontecido em vários ISP. Clientes de ISP na região, em que o ISP não estava oferecendo o IPv6, tiveram de se mudar para outro ISP que sim estivera oferecendo o IPv6.

Que países estão mais avançados na região?

Neste momento, o Peru tem uma adoção maior a 9%. Os países menos avançados são centro-americanos.

Que benefícios vai ter o usuário final com o IPv6?

Muitos. Eu vou mencionar apenas dois. O primeiro é conectar uma grande quantidade de dispositivos em seu lar ou na sua empresa diretamente à Internet: isso vai trazer à Internet das coisas. O segundo benefício é o fato de que os aplicativos não vão falhar.

Simples conselhos sobre endereçamento IPv6 (para ISP)

Alejandro Acosta
por Alejandro Acosta

O modelo geral de um operador pode ser apreciado como um pequeno caso da IANA para os RIR.

Em geral, um provedor ao receber um bloco IPv6 por parte do seu RIR deve ter um plano de endereços IPv6 (da mesma forma que no IPv4).

Graças ao enorme espaço de IPv6, designar blocos específicos para determinadas tarefas, tornou-se muito comum. Por exemplo:

  • a) Bloco de endereços para redes WAN
  • b) Bloco de endereços para LAN
  • c) Um espaço para Loopbacks para diferentes dispositivos
  • d) Um espaço para ULA (Unique Local IPv6 Unicast Addresses RFC 4193) se for necessário
  • e) Um espaço para Core de rede
  • f) Bloco de endereços para clientes

Uma prática importante por motivos de segurança é não designar os blocos e os endereços de forma consecutiva, lembre-se de que o espaço do IPv6 é enorme e, adicionalmente, que desejamos realizar uma implementação o menos vulnerável possível.

As melhores práticas apontam:

  • Há que designar /64 para Loopbacks
  • /64 para LAN
  • /64 para WANs (ou designar /127 e reservar o /64)
  • /48 para POPs

É muito importante trocar o nosso Switche, já não estamos em IPv4 e os conceitos de poupança de Ips desaparecem.

Na prática, vamos trabalhar com os bits entre /32 e /48. É realmente muito simples. Lembre-se de que o IPv6 está dividido em 8 campos de 16 bits cada um. O que vamos fazer é brincar com uma parte dessa nomenclatura. No exemplo acima faremos o seguinte:

[___ NET  ID __     ]   [Subnet]  [Divisão]   [________  Interfase ID ____________]

2001:0db8:0000:0000:0000:0000:0000:0000

[C1]          [C2]         [C3]          [C4]            [C5]          [C6]           [C7]          [C8]

Neste caso, o que fazemos é brincar com o terceiro campo de zeros (Subnet). Ali temos especificamente 16 bits = 65535 subnets que podemos criar para diferentes necessidades. Um plano de endereçamento pode ser o seguinte:

Plano de endereçamento (macro):

a) Para loobacks:

  1. Pegar todo o 2001:db8:00000000::/48
  • 2001:db8:0:0::1/64 Loopback #1
  • 2001:db8:0:1::43/64 Loopback #2
  • 2001:db8:0:2::00A7/64 Loopback #3

b) Segmentos LANs:

  1. Pegar todo o 2001:db8:000E::/48
  • 2001:db8:000E:0::/64 Segmento LAN #1
  • 2001:db8:000E:23::/64 Segmento LAN #2
  • 2001:db8:000E:286::/64 Segmento LAN #3

c) Para WANes

  1. Pegar todo o 2001:db8:005A::/48
  • 2001:db8:005A:0::/64 Segmento WAN #1
  • 2001:db8:005A:42::/64 Segmento WAN #1
  • 2001:db8:005A:00C2::/64 Segmento WAN #1

d) Para POPs

  1. 2001:db8:00D9::/48 Ponto de Presença #1
  2. 2001:db8:139::/48    Ponto de Presença #1
  3. 2001:db8:02FD::/48  Ponto de Presença #1

Conselhos adicionais:

1) Uma prática que queremos mencionar muito rapidamente e deixamos ao juízo do leitor é designar prefixos IPv6 por tipo de serviços. Por exemplo: imagine uma Datacenter que forneça a seus clientes os serviços de hosting compartilhado (Virtualhosting) e servidores dedicados a seus usuários (independentemente de físico ou virtual), o provedor de serviços pode designar diferentes redes /48 para essas plataformas. Entre as vantagens podemos citar:

  • Gerenciamento mais simples da qualidade de serviços dentro da rede do provedor
  • Publicação de prefixos /48 por BGP por serviços e mais flexível
  • Tratamento mais cuidadoso aos clientes VIP
  • Localização e resolução de problemas com mais facilidade

2) Por último, naquelas organizações multi-país/multi-província/estado podem ser feitas cosas simples e simpáticas que vão trazer benefícios a longo prazo. Por exemplo: a empresa tem presença na Argentina, Colômbia e Venezuela, seus códigos de país são: 54, 57 e 58 respectivamente. Observe o campo número 3 no seguinte endereçamento IPv6:

Bloco: 2001:db8:0:0:0:0:0:0/32:

  •             Argentina: 2001:db8:54:0:0:0:0:0/48
  •             Colômbia: 2001:db8:57:0:0:0:0:0/48
  •             Venezuela: 2001:db8:58:0:0:0:0:0/48

No caso anterior usamos os códigos de país, mas perfeitamente poderiam ter sido usados os códigos dos estados ou províncias. Inclusive, o terceiro campo pode ser o país o quarto, o estado.

  • Venezuela: 2001:db8:58:212:0:0:0:0/56  (212=Cidade de Caracas)

Esperamos que esses concelhos sejam úteis para você.

Por mais informações acesse: www.lacnic.net

Não há mais endereços IPv4 na América Latina e o Caribe

Hoje a região entrou definitivamente na fase de esgotamento da velha tecnologia da Internet (IPv4);  preocupa atraso na implementação do novo protocolo IPv6 nas redes da região.

A Casa da Internet da América Latina e o Caribe, 10 de junho.- O Registro de Endereçamento da Internet para a América Latina e o Caribe (LACNIC), responsável pela designação de recursos para essa região, anunciou hoje o esgotamento do estoque dos endereços IPv4 e expressou sua preocupação pela demora dos operadores e governos em implementar o protocolo da Internet (IPv6) na região.

LACNIC informou hoje que tendo atingido os 4.194.302 endereços IPv4 em seu estoque, entram em vigor políticas restritivas para a entrega de recursos da Internet no continente, que na prática significam o esgotamento dos endereços do IPv4 para os operadores de redes na América Latina e o Caribe.

“Estamos diante de um fato histórico que não por ser esperado e anunciado, é menos importante”, afirmou o CEO de LACNIC, Raúl Echeberría. “A partir de agora LACNIC e os Registros Nacionais somente podem designar quantidades muito pequenas de endereços IPv4, insuficientes para atender às necessidades de nossa região”. A organização já entregou mais de 186 milhões de endereços IPv4 na América Latina e o Caribe desde o início de suas operações em 2002.

Mais informações : http://www.lacnic.net/pt/web/anuncios/2014-no-hay-mas-direcciones-ipv4-en-lac

LACNIC reúne-se com autoridades e operadores da América Latina por mudança de protocolo da Internet

O Registro de Endereçamento da Internet para a América Latina e o Caribe (LACNIC) começou, uma série de visitas e reuniões com autoridades e empresários da América Latina para informar sobre o iminente esgotamento do estoque regional dos endereços IPv4 e as mudanças tecnológicas que devem ser implementadas para permitir o normal desenvolvimento da Internet nesse país.

Os endereços IP são um recurso finito e vital para o correto funcionamento da Internet, e neste ano, existem desafios importantes decorrentes principalmente do começo de uma nova etapa, em que a disponibilidade de endereços IP versão 4 (IPv4) vai ser cada vez menor. Esta nova etapa requer da participação ativa de todos os atores relevantes a fim de torná-la o mais suave possível, garantindo o crescimento contínuo da Internet através de uma correta transição para a versão 6 (IPv6) do protocolo da Internet, de forma estável e segura em todos os países da região.

De fevereiro a final de março, especialistas de LACNIC visitaram organizações de governo e provedores da Internet da Venezuela, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Trinidad e Tobago, Chile e Argentina para gerar consciência sobre o esgotamento iminente do IPv4 e a necessidade de concretizar a implementação definitiva do IPv6.

Mais de seis de cada dez organizações da Internet da região possuem pelo menos um bloco de endereços IPv6, a nova tecnologia da Internet que substitui ao velho protocolo IPv4.

Brasil lidera o ranking dos países com maior quantidade de designações de IPv6, seguido pela Argentina, Colômbia, México, Chile, Costa Rica, Equador, nessa ordem, segundo os registros técnicos de LACNIC.

Hoje cinco de cada dez latino-americanos tem acesso à Internet, um número que deve crescer nos próximos 30 meses. Estima-se que haverá 100 milhões de novos usuários da Internet quando chegarmos a 2015, totalizando 355 milhões de internautas na América Latina e o Caribe.


Estado do IPv4 no final de 2012

Mesmo sabendo que o espaço de endereçamento IPv4 está chegando ao fim, este artigo apresenta uma síntese do estado da disponibilidade dos endereços IPv4 no final de 2012, tanto a nível global quanto regional. As informações contidas aqui podem ser achadas em diferentes sites da Internet aos que fazemos referência, mas não estão compiladas em um único lugar, nem totalmente traduzidas para as línguas da nossa região.

Assume-se que o leitor conhece o sistema actual de alocação e designação de endereços na Internet e a relação entre a IANA, os registros regionais e os ISP/ usuários finais. Para mais informações sobre o assunto, acesse o site da IANA: http://www.iana.org/numbers

Endereços disponíveis por parte da IANA

Em fevereiro de 2011, o estoque central de endereços IPv4 administrado pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority) estava finalmente esgotado. Nesse momento, por ficarem disponíveis apenas cinco blocos /8, foram entregues a cada um dos cinco RIR, em concordância com a política global em vigor. Acesse esta nota e veja a cerimônia de entrega e outras informações relacionadas: http://lacnic.net/sp/anuncios/2011-agotamiento-ipv4.html

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Para ver um mapa completo da alocação dos 256 blocos /8 originais, pode acessar o site da IANA: http://www.iana.org/assignments/ipv4-address-space/ipv4-address-space.xml

A partir desse momento, cada RIR começou a dispor somente do seu estoque de endereços IPv4 o que levou a realizar diferentes previsões do esgotamento dos endereços IPv4 disponíveis, de acordo com a região envolvida. A seguir, uma análise da situação em cada uma das regiões de cobertura dos cinco registros regionais.

Endereços disponíveis por parte dos RIR

Todos os registros regionais têm uma política que entra em vigor a partir da que se considera uma situação de esgotamento “na prática” dos recursos IPv4. Essa situação acontece em geral quando se chega ao último bloco /8 disponível, embora no caso do LACNIC são reservados dois blocos /12. A partir dessa situação de “esgotamento virtual”, os registros regionais não continuam designando endereços IPv4 em função da necessidade mas sim estabelecem um limite máximo por organização, normalmente um /22. Uma vez atingida essa situação, considera-se que o registro tem esgotado seu estoque –ainda que o RIR disponha de endereços- já que não pode satisfazer a procura real das organizações/ ISP.

APNIC

O primeiro registro regional em esgotar seu estoque de endereços IPv4 foi APNIC. Em 15 de abril de 2011 começou a ser usado o espaço do último bloco /8 disponível, momento a partir do qual entrou em vigor uma política que só permite designar no máximo um bloco /22 por organização (nova ou já existente), por uma única vez. Veja a informação no site de APNIC: http://www.apnic.net/publications/news/2011/final-8

Resulta interessante analisar o seguinte gráfico de Geoff Huston que mostra claramente a situação de escassez que se produze a partir de abril de 2011: se a média da procura (e designação) de endereços em 2010 era da ordem de 2 milhões por semana, a partir da entrada em vigor da política do “último /8″, a designação de endereços é praticamente insignificante. Nota-se também uma aceleração da procura nas primeiras semanas de 2011, motivadas pela proximidade da entrada em vigor dessa política.

RIPE-NCC

Em 14 de setembro de 2012, o registro regional da Europa também começou a usar o último bloco /8 do seu estoque. A partir desse momento, a política vigente indica que somente serão outorgados no máximo blocos /22. Pode acessar a notícia nos seguintes links do site de RIPE:

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ARIN, LACNIC e AfriNIC

Esses 3 registros não tiveram ainda que usar o seu último bloco e existem diferentes estimativas da data em que começarão a fazê-lo. Uma das estimativas mais conhecidas é a de Geoff Huston, disponível no seguinte link: Relatório de endereços IPv4: http://www.potaroo.net/tools/ipv4/index.html

Data projetada do esgotamento do estoque de
endereços dos RIR:
RIR Data
esgotamento projetada
Endereços
restantes no estoque dos RIR (/8s)
APNIC:

19-abril-2011 (atual)

0.8937
RIPE
NCC:

14-setembro-2012 (atual)

0.9457
ARIN:

08-junho-2014

3.0049
LACNIC:

23-setembro-2014

2.8762
AFRINIC:

22-fevereiro-2021

3.8043

Veja de uma forma mais gráfica no seguinte link: http://www.potaroo.net/tools/ipv4/plotend.png

Por sua vez, o LACNIC também tem suas próprias previsões acerca da data de esgotamento de seus recursos IPv4: http://www.lacnic.net/web/lacnic/reporte-direcciones-ipv4

Vale a pena mencionar os relatórios periódicos comparativos dos diferentes RIR que vem publicando o NRO (www.nro.org), disponíveis no seguinte link: http://www.nro.net/statistics

Conclusões

Como se pode ver, uma parte importante da Internet mundial encontra-se em áreas cujos registros regionais já têm esgotado seus recursos IPv4 e onde as novas exigências para novos endereços IP encontram fortes restrições. Além disso, se nos basearmos nos prognósticos mencionados antes, podemos assumir que no segundo semestre do ano próximo, a maior parte da Internet não vai ter recursos IPv4 suficientes. Por tudo isso, é conveniente começar a considerar esgotado o protocolo IPv4 e começar a pensar numa Internet baseada em IPv6. Particularmente na nossa região, deveríamos considerar que apenas temos um ano e meio para adotar a nova versão do protocolo IP e assim evitar os problemas que vão resultar da escassez de endereços IPv4.

Referências

Upcoming Events