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IPv6 e o Usuário Final

Em geral, quando falamos de IPv6, pensamos na grande quantidade de endereços que vamos ter disponíveis, mas também devemos mencionar algumas características do protocolo que possibilitam novas aplicações e benefícios para o usuário final, que vão se incrementando à medida que o uso de IPv6 se propaga.

Um espaço de endereços mais amplo dá a possibilidade de satisfazer a procura que hoje estão tendo as tecnologias de conexão como DSL, cable modem e telefones móveis. Isso permite contar com uma conexão permanente, com endereços públicos para cada elemento conectado. Dito de outra forma, faz com que cada dispositivo da rede seja identificado univocamente em toda a Internet, desde PDAs até elementos do quotidiano como artefatos do lar e do escritório. Por sua vez, os carros poderiam ter a possibilidade de possuir alguma forma de conectividade IP através da qual poderiam obter diferentes serviços, como localização global, relatórios baseados na localização, etc. Imaginemos na possibilidade de monitorar nossa casa através da Internet mediante um caminho encriptado, disparar o alarme em forma remota se for necessário, ou acender a calefação antes de chegar em casa.

Para atingir esse tipo de serviços da rede, é necessário contar com a chamada “conexão extremo a extremo”. No entanto, hoje as tecnologias como NAT afetam o funcionamento de muitas aplicações e limitam os novos desenvolvimentos desse tipo. O protocolo IPv6 devolve a possibilidade das conexões extremo a extremo, o que abre o leque para novas idéias e oferece maior flexibilidade para os desenvolvedores, que já não vão ter que se preocupar com as técnicas para funcionar evitando o NAT e os endereços privados.

Mecanismos como a auto-configuração e os “endereços de enlace”, disponíveis de forma automática, fazem mais simples a configuração inicial de dispositivos e a administração das redes locais. Isso faz com que a dona de casa não tenha que se preocupar por aprender a configurar um endereço IPv6 na impressora do lar na que simplesmente imprime as contas que vai pagar ou aonde seu marido envia, desde seu escritório, um documento para ler à noite na tranqüilidade de sua casa. Por sua vez, a possibilidade de contar com conexões encriptadas ao possuir IPSec como parte do protocolo, garante a privacidade e autenticidade das comunicações de uma forma mais efetiva.

As características de qualidade de serviço disponíveis hoje no IPv4 são melhoradas no IPv6, permitindo uma visão mais homogênea na rede global. Isso garante aplicações em tempo real como videoconferências ou VoIP que podem ser oferecidas ao usuário final e melhorar dessa forma, por exemplo, as comunicações telefônicas.

Uma outra característica é a mobilidade: a possibilidade de manter um endereço IP que permaneça constante a pesar de que o usuário se movimente de uma rede para outra; permite que as aplicações continuem ativas ainda quando trocarem de provedores de rede. Mesmo que existam mecanismos para atingir isso com o IPv4, são complexos e precisam certas condições especiais desde o ponto de vista operativo. O IPv6 desde o começo prevê essa característica e está capacitado para redirecionar as conexões para um novo destino de um nó móvel.

Por todos esses motivos acreditamos que nos próximos anos vão ser desenvolvidas um conjunto de novas aplicações, aproveitando as novas facilidades que oferece o protocolo IPv6, atingindo assim uma melhor qualidade de vida para todos.

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