No marco de uma transição para o IPv6 que resulte bem-sucedida, é fundamental o papel que os governos possam ter em todo o processo.
Existem países no mundo onde o envolvimento das autoridades de áreas como comunicações, energia, ciência, tecnologia, educação, etc. têm conseguido estabelecer uma regulamentação que no curto ou médio prazo acaba sendo a responsável do impulso para o desdobramento e posterior adoção do novo protocolo.
Entre os países e organizações que têm se manifestado dessa forma, encontram-se, entre outros: a França, Índia, Espanha, Austrália, Japão, Estados Unidos, Malásia. De forma mais concreta, e com a única finalidade de nomear alguns exemplos, a Comissão Européia emite em fevereiro de 2002 um comunicado para o Conselho e Parlamento Europeu em que solicita a cada setor da economia que realize as ações necessárias para atingir a transição para o IPv6, entendendo para isso que integrar os esforços vai fazer com que aconteça a implementação precoce do novo protocolo, com todas as vantagens que isso acarreta. Um outro exemplo o constitui o Governo da Malásia que juntamente com a USM (Universiti Sains Malaysia) e outros órgãos de pesquisa e desenvolvimento trabalham desde 2005 para que a Malásia se transforme em uma nação "IPv6-enabled" para o ano de 2010, planejando para isso programas de difusão e treinamento sobre o IPv6. Do outro lado, nos Estados Unidos, o mandado do Departamento de Administração e Orçamento (OMB, por sua sigla em inglês) requer que para junho de 2008 os backbones das agências federais governamentais desse país estejam usando o IPv6.
Além desses exemplos, outros movimentos como as IPv6 Tasks Force nacionais e regionais realizam ações em prol de que os governos e autoridades do estado se envolvam no processo.
Exemplos de ações tomadas pelos Governos:
JAPÃO:
O Governo focaliza suas ações principalmente em apoiar, criar e financiar dois conjuntos de iniciativas bem diferenciados:
ÍNDIA:
A Autoridade Reguladora da Índia publicou em janeiro de 2006 um documento “TRAI releases Recommendations on Transition from IPv4 to IPv6 in India” que exprime, entre as principais recomendações:
1. Assuntos legais relacionados com a transição do IPv4 para o IPv6.
- (i) Retificação da definição de endereço IP que aparece na licença dos ISP para permitir usar 128 bits segundo for necessário para o direcionamento com base no IPv6.
2. Promoção da migração para o IPv6 por parte do governo
- (i) Deveria ser exigido o uso do IPv6 nas plataformas/ aplicações relacionadas com o governo eletrônico. O governo também deveria exigir compatibilidade com o IPv6 quando licitar sistemas de TI e redes.
- (ii) Deveriam ser realizadas oficinas e seminários, através de agências governamentais, para criar consciência sobre o IPv6 na comunidade dos provedores de serviços e usuários.
3. Criação do Registro da Internet no País
- (i) Deveria ser estabelecido um Registro Nacional da Internet (NIR) no país, dentro do marco de APNIC, o Registro Regional da Internet.
4. Estabelecer um banco de prova para o IPV6
- (i) Ampliar o banco de prova para o IPv6 de ERNET para que seja de nível nacional e esteja acessível para todas as partes interessadas.
- (ii) Atualização de NIXI como banco de prova nacional para o IPv6 e interconexão entre seus diferentes nodos para prover acesso para todos os ISPs.
- (iii) Alentar o TEC, CDOT, CDAC para que instalem bancos de prova para o IPv6 mediante fundos outorgados pelo governo.
http://www.trai.gov.in/trai/upload/Recommendations/3/recom9jan06.pdf
FRANÇA:
Neste caso, as recomendações chegam por parte do IPv6 TF que foi impulsionada pelo governo. Entre seus membros encontram-se: 6WIND, AFNIC, Alcatel, France Télécom R&D, G6, RENATER, Renault.
Tais recomendações foram apresentadas ao Ministro de Pesquisa e Novas Tecnologias, as quais podem ser encontradas em: http://www.fr.ipv6tf.org/DATA/PRESS/Recommandations%20IPv6%20TFF%20(English).pdf
Documentação e links sobre o assunto: