FLIP6 e LAC IPv6 TF

FLIP6 – Fórum Latino-americano de IPv6

(Apresentações em: http://portalipv6.lacnic.net/presentaciones-flip-6 )

 

Este Fórum visa promover e fomentar a adoção do Protocolo IPv6 na região da América latina e o Caribe, assim como também o intercâmbio de experiências obtidas na implementação de serviços e aplicações baseadas em IPv6 na nossa região.

Originariamente foi impulsionado desde o LACNIC, sendo a sua primeira edição em março de 2004, e a última delas desenvolvendo-se em maio deste ano.
Este fórum congrega pessoas do âmbito acadêmico, comercial, operadores do NAP, ccTLDs, ISPs… Em fim, reúne ao público em geral, todo aquele que de um modo ou outro estiver interessado no desdobramento do novo protocolo.

O funcionamento do FLIP6 no decorrer do ano é desenvolvido desde vários cenários. De um lado, trabalha-se com uma lista de discussão na qual são debatidos assuntos de interesse para a comunidade IPv6.Os assuntos apresentados e debatidos através dos meses são o pontapé inicial para a culminação do fórum em um encontro anual que vai se desenvolver no marco dos eventos do LACNIC em diferentes países da região a cada ano. Como parte da agenda do evento, são realizadas apresentações de trabalhos da região, convidados especiais de esta ou outras regiões, debates de assuntos de interesse originados na lista durante o ano e assuntos novos, conformação de painéis, etc.

Em si mesmo, o FLIP6 está composto por um Moderador, um Comitê de Avaliação de Trabalhos e, principalmente, pela Comunidade.
Respeito ao Moderador, ele mesmo é escolhido por votação dos membros da lista de discussão, tendo seu cargo uma duração de 2 anos.

Os trabalhos apresentados nas diferentes edições do FLIP6 têm tido uma evolução incrível, acompanhando da alguma forma o desdobramento do IPv6 que a cada dia está ficando mais evidente na nossa região.

A convocação para a apresentação de trabalhos é para a América Latina toda e o Caribe, dando a possibilidade de mostrar não apenas diferentes aspectos do protocolo mas também diferentes realidades da região e sendo um ponto interessante de colaboração entre os países.

Para que um trabalho for parte do programa do FLIP6, vão ser tomados como parâmetros na hora de sua avaliação: Originalidade, Experiência com mérito ara ser compartilhada, Possibilidade de aplicação geral, Replicabilidade e Importância do desenvolvimento.

Além das questões técnicas que puderem devir desse fórum, o resultado da colaboração e disposição da Comunidade da América Latina e o Caribe, faz com que mais uma vez entre todos, consigamos um fim comum: o desdobramento de uma nova Internet.

Comitê de Avaliação de Trabalhos:

– Alejandro Acosta (VE)
– Antonio Moreiras (BR)
– Azael Fernández (MX)
– Carlos M. Cargnazzo (UY)
– Guillermo Cicileo (AR)
– Jordi Palet (ES)
– Jorge Villa (CU)
– Mariela Rocha (AR)
– Nicolás Antoniello (UY)

Relatório FLIP6 – 2016

Durante o Fórum Latino-americano do IPv6 em sua edição do 2016 as questões mais relevantes foram o DHCPv6, 5G, SDN / NFV, OpenWrt, Roteamento Escalável, Network Reconnaissance e casos de estudo universitários e de redes comunitárias.

As apresentações incluíram:

2 palestras de convidados especiais:

– “IPv6-Based 5G Networking Enabled by SDN-NFV, Cloud Computing and IoT”. Por Latif Ladid, presidente do Fórum IPv6.

Durante a apresentação enfatizou na evolução que têm tido e vão ter os protocolos usados na Internet, que em muitos casos se tornaram “InterNAT”. A nova Internet já está contemplando tecnologias como SDN e NFV com Openstack v6, bem como o uso necessário do IPv6 nas redes de 5G. Em relação às gerações de IoT e de dados, a terceira versão é a usada pelo IPv6 com 6LowPAN e ROLL. O IPv6 possibilita a Internet de duas vias (Two-Way) E2E (End-to-End), e a tendência vai ser IPv6 sobre 5G e WDM. Depois foram dados os números da implementação do IPv6 no mundo, destacando-se na América Latina o Brasil, Equador e Peru.

– “DHCPv6 Operational Challenges” por Tom Coffeen, evangelista do IPv6 em Infoblox

Igualmente foram apresentadas estatísticas da implementação do IPv6 no mundo, principalmente nos EUA; a estimativa, segundo o Google, de % de usuários de IPv6 é de 50% para 2018. Foram mencionadas as diferenças de DHCP para o IPv4 e IPv6, as vantagens deste último, bem como as variantes e tipos como Stateful e Stateless DHCPv6 com base na gestão de duas bandeiras “M” e “O”, e os comportamentos dependendo do sistema operacional dos usuários. Foram apresentadas diferentes soluções para as possíveis falhas “failovers” do DHCPv6 em sua implementação. Também foram listadas algumas técnicas para ter uma implementação mais segura e controlada do DHCPv6; recomendações nos planos de endereçamento e a falta de suporte do DHCPv6 nos dispositivos com Android.

E o comitê avaliador do FLIP6 selecionou sete palestras que foram:

– Implementação das tecnologias SDN da Mão com o IPv6

Começou com dados da UDG e estatísticas do uso do IPv6, em que o número de estudantes é 3 vezes maior que o número de endereços IPv4 disponíveis. Os benefícios de combinar o uso de SDN conjuntamente com o IPv6 para oferecer, por exemplo, através de circuitos dinâmicos, serviços de nomina. Foi mencionado o uso de OESS para a implementação do OpenFlow com suporte de IPv6, bem como o desenvolvimento de aplicativos SDN para a otimização de tráfego e o caso de estudo de VoIPv6.

– Analise da implementação do IPv6 no OpenWrt sob o aspecto da RFC7084

Como parte do projeto IPv6.br, em que foi determinada a falta do IPv6 nos equipamentos de borda e de última milha, motivou esta análise do IPv6 mediante OpenWrt, tomando como referência o RFC 7084 e fazendo uma série de experimentos para conhecer o grau de suporte do IPv6 em 3 topologias diferentes. Resultando evidente a falta de suporte completo de todas as funcionalidades como DAD, e o estado dos requerimentos nas categorias: geral, do lado da WAN, “Link-Layer”, designações de endereços, delegação de prefixos, ULA, do lado da LAN, de 6RD e DS-Lite. A conclusão foi que o OpenWrt funciona com IPv6 mas apresenta alguns erros para o correto funcionamento.

– Estratégia de Roteamento Escalável na Transição e Adoção do IPv6.​

Começa com uma análise do crescimento das entradas de BGP nas tabelas de roteamento a nível global e as estimativas para 2020, foram mencionadas as vantagens e desvantagens do uso do tipo de memória chamada TCAM, em que é designado por defeito pouco espaço para o número de rotas IPv6. O uso do “multihoming” e das diferentes alternativas de protocolos para atingir roteamento mais escalável como: SCTP, shim6, HIP e LISP, sendo este último mais adequado e com maior grau de desenvolvimento. Foram listadas as diferentes implementações de LISP, suas vantagens e casos de uso.

– Comparação entre os mecanismos de transição IPv6​

Depois de repassar os diferentes mecanismos de transição / coexistência com os IPv6 existentes, foram mencionadas as diferentes opções para implementações em cenários com só IPv6 como: DS-LITE, Lightweight 4over6, 464XLAT, MAP-E e MAP-T, com suas vantagens e desvantagens. No final, foi apresentada uma tabela comparativa entre os métodos de transição apresentados e a indicação do suporte das diferentes funções de cada um, bem como um caso de estudo em uma rede multi-serviço.

– Pergunte ao Dr. IPv6 e estatísticas do IPv6​

Foi apresentado o programa chamado “Dr. IPv6”, que vai receber na sua conta de e-mail as perguntas da comunidade da América Latina e o Caribe, e que serão respondidas, sem garantia, com áudio por parte de um especialista, o mais capacitado para essa questão em particular. A gravação vai estar disponível como Podcast, no MP3, e a resposta será anunciada na lista de “lactf”.

Na apresentação das estatísticas, foram mostrados os dados de análise coletados por LACNIC (out.2015-abril 2016) disponíveis abertamente como: o # de sites com conteúdo e registros AAAA, a % de domínios AAAA que apontam a endereços na região de LACNIC, o tamanho dos anúncios de prefixos (tabela BGP), do BGP com RPKI, e de consultas com DNSSec. Finalmente os formatos disponíveis desses dados.

– Advanced IPv6 Network Reconnaissance

Baseados no RFC 7707, notou-se que dado que muitas das designações do IPv6 são realizadas sob determinados padres bem conhecidos, então as redes com IPv6 são digitalizáveis, um mito que tem existido. Como resultado de um teste realizado nos padrões de designação para servidores: web, correio e de DNS, e nos segmentos de rede com clientes; através do uso de ferramentas desenvolvidas para fazer scans. Também foi mencionado o uso de cabeçalhos de extensão e as conseqüências em seu uso pela filtragem e descarte realizados. Finalmente foi apresentado o assunto da digitalização de portos TCP/UDP.

– Experiência implementando IPv6 na Universidade Distrital Francisco José Caldas​

Foi dada uma explicação de infraestrutura de rede da universidade pertencente a RITA (Rede de Pesquisas de Tecnologia Avançada), incluindo as fases de implementação do IPv6, os serviços habilitados e os aplicativos de pesquisa sobre o IPv6, através da promoção do uso e adoção, os testes realizados para sua implementação, e as conexões às redes acadêmicas .

Na chamada para Lightning Talks do IPv6, somente foi apresentada a palestra:

Mesh Tunnel Broker para redes Comunitárias. Por Nicolás Echaniz de Alter Mundi, da Argentina.

Uma implementacão de libremesh, pelos altos valores de latência dos serviços de “tunnel broker” comerciais disponíveis e a necessidade de conectar diferentes redes de AlterMundi entre si, com a mínima latência possível. Quando combinarmos tinc-vpn (um software de VPN mesh) com um protocolo de roteamento dinâmico (babeld ou bmx6). Finalmente foi mencionada a próxima implementação de uma rede comunitária usando um esquema similar ao de 6RD.

Para encerrar o FLIP6-2016, foram apresentados os vencedores dos prêmios pelo jogo “angel”, que esteve disponível na entrada do auditório principal, e a dois assistentes à terceira parte ou segundo dia do FLIP6, por ter respondido corretamente às duas perguntas formuladas.​