As operadoras sem IPv6 n√£o v√£o ter mais mercado

A falta de uso massivo do IPv6 pelas empresas na regi√£o preocupa os especialistas.

O engenheiro Tom√°s Lynch esperava uma maior implementa√ß√£o do IPv6 na Am√©rica Latina e o Caribe tr√°s o an√ļncio no ano passado sobre o esgotamento do IPv4 .

Lynch, membro da ISOC e ativo participante das reuni√Ķes de LACNOG, garante que as empresas tomaram consci√™ncia acerca da necessidade de usar o IPv6, mas ‚Äúainda n√£o tem massificado seu uso‚ÄĚ.

O especialista salientou que daqui a cinco anos se espera que 50 bilh√Ķes de dispositivos usem Internet, mas isso somente √© poss√≠vel mediante o IPv6. Em di√°logo com LACNIC News, Lynch advertiu que ‚Äúem cinco anos as operadoras de rede que n√£o tiverem IPv6 n√£o poder√£o participar nesse mercado‚ÄĚ.

-¬†Como o senhor percebe a implementa√ß√£o do IPv6 na Am√©rica Latina e o Caribe? O senhor acredita que as empresas e organiza√ß√Ķes s√£o cientes da import√Ęncia que tem a incorpora√ß√£o deste protocolo da Internet e a massifica√ß√£o do seu uso?

A implementa√ß√£o do IPv6 na Am√©rica Latina e o Caribe est√° lenta. Embora existam casos particulares de pa√≠ses em que as taxas de implementa√ß√£o s√£o compar√°veis √†s dos pa√≠ses europeus, como o Peru com 12%, Equador com 4% e Bol√≠via com 2%, o resto dos pa√≠ses tem uma percentagem menor a 1%, inclusive com percentagens muito baixas na Argentina, Col√īmbia, M√©xico e Venezuela. Se fizermos uma pondera√ß√£o com a popula√ß√£o dos pa√≠ses, conclu√≠mos que o usu√°rio final, em geral, na Am√©rica Latina e o Caribe ainda n√£o t√™m IPv6 em seus dispositivos.

Essas percentagens de penetra√ß√£o do IPv6 mostram que os operadores de rede ainda n√£o massificaram seu uso. Mas do outro lado, essas empresas j√° tomaram consci√™ncia sobre a import√Ęncia do IPv6. Muitas delas j√° est√£o planejando a implementa√ß√£o ou analisando sua rede para implementar a nova vers√£o do IP. Lembre-se que a implementa√ß√£o exige n√£o s√≥ dar ao usu√°rio final um endere√ßo IPv6, tamb√©m √© necess√°rio adaptar os sistemas de seguran√ßa, de charging, etc.

- Se considerarmos o esgotamento do IPv4 no ano passado, o senhor esperava uma maior implementação na região?

Sim, eu esperava que depois do an√ļncio de LACNIC as empresas come√ßariam a implementar rapidamente o IPv6, em particular as empresas da regi√£o. Muitas dessas empresas t√™m atrasado a implementa√ß√£o usando Carrier Grade NAT (CGNAT), mas para isso fizeram um investimento financeiro significativo que teria sido melhor dedicar √† implementa√ß√£o do IPv6.

-¬†A tecnologia 4G est√° crescendo e isso permite que muitos aplicativos em tempo real possam ser usados desde os celulares. No livro ‚ÄúIPv6 para operadores de rede‚ÄĚ o senhor afirma que ‚Äúsem o IPv6 o risco de n√£o poder continuar prestando servi√ßos aos usu√°rios √© muito alto‚ÄĚ. Por que o IPv6?

A grande explos√£o de dispositivos est√° acontecendo da m√£o das redes m√≥veis 4G: usu√°rios que querem ou precisam ter acesso sempre, estejam onde estiver, n√£o apenas por motivos de trabalho como ler ou enviar e-mails, mas tamb√©m como lazer, por exemplo, assistir um v√≠deo on-line. O n√ļmero cada vez maior de dispositivos n√£o apenas precisa largura de banda, mas tamb√©m precisam, pelo menos um endere√ßo IP e centos de portos para os diferentes aplicativos.

Por n√£o implementar IPv6, o n√ļmero de dispositivos a serem conectados √† rede diminui, e se somarmos tecnologias como CGNAT em que atrav√©s do IPv4 √© entregue uma quantidade determinada de portos, teremos uma rede com poucos usu√°rios. Al√©m disso, esses poucos n√£o poder√£o usar todos os aplicativos ao mesmo tempo ou ter√£o o inconveniente de ter de desligar um aplicativo para poder usar outro.

A conclusão é que a relação entre os aplicativos, que vão de Home Banking a jogos, e o IPv6 é direta devido à grande quantidade de portos que  consomem. Quanto ao suporte do IPv6 nos aplicativos, 85% deles já suportam IPv6. Portanto, os aplicativos não são uma barreira para a implantação do IPv6.

- As diferentes arquiteturas de redes móveis estão desenhadas para suportar o IPv6 ou tem que fazer novos investimentos?

As arquiteturas de redes m√≥veis est√£o desenhadas segundo os padr√Ķes de 3GPP, ITU-T, IETF, entre outros. O 3GPP, em particular, inclui suporte de IPv6 em todos seus documentos desde 1999, inclusive o LTE est√° desenvolvido com mais foco no IPv6 do que no IPv4. Devido a esses padr√Ķes, as empresas que fornecem produtos e servi√ßos para redes m√≥veis j√° suportam ambas as vers√Ķes do IP em seus computadores. Novos investimentos v√£o depender da longevidade dos equipamentos e quando se usam bearers dual-stack ou um bearer por vers√£o IP.

- O que pode acontecer com os operadores de rede se eles não implementarem IPv6 nas suas redes?

O que vai acontecer é que vão ficar por fora do mercado porque vão ter um crescimento cotado pelas tecnologias NAT. Inclusive os investimentos que forem fazer para manter esses sistemas serão maiores dos que eles teriam feito se tivessem implementado o IPv6 em devido tempo.

- Dada a realidade da América Latina e o Caribe, como o senhor convenceria uma operadora -que já tem acesso à Internet IPv4- para que invista dinheiro e recursos para poder chegar desde suas redes locais  a recursos da Internet usando IPv6?

O neg√≥cio do IPv6 √© ficar no neg√≥cio disse Vint Cerf. O investimento em IPv6 que seja feito hoje, quer em equipamentos, horas de desenho, adequa√ß√£o de sistemas, etc., √© menor¬† a longo prazo que investir e posicionar o crescimento da rede com IPv4 e NAT. Dentro de 5 anos se espera que 50 bilh√Ķes de dispositivos usem Internet, mas isso somente √© poss√≠vel mediante o IPv6. Em 5 anos os operadores de rede que n√£o tiverem IPv6 n√£o v√£o ter participa√ß√£o nesse mercado.

A triste história de um ISP sem IPv6

Alejandro Acosta

Era uma vez, h√° pouco tempo atr√°s, um ISP muito grande que dominava as telecomunica√ß√Ķes de um pa√≠s, se sentia poderoso e sem concorr√™ncia. Quando algu√©m precisava se conectar a Internet sempre concorria a ele. Tinha uma penetra√ß√£o no mercado invej√°vel para todos.

No entanto, este ISP tão grande nunca quis implementar IPv6, ele pensava que tinha suficientes endereços IP para se abastecer, não percebia qualquer indicador que dissesse: eu tenho que ter o novo protocolo.

Durante esses anos, outro pequeno ISP sim implementou o IPv6, come√ßou a crescer lentamente, percebeu que o protocolo sim marcava uma diferen√ßa em seus clientes, ganhava usu√°rios gra√ßas ao suporte desse protocolo. Sua penetra√ß√£o no mercado aumentava, ganhava mais dinheiro e mais respeito. Pelo fato de ter crescido tanto, conseguia melhores pre√ßos de equipamentos, de tr√°fego, de interconex√£o. Tudo ia muito bem. O ISP pequeno simplesmente n√£o podia acreditar, uma coisa t√£o simples de ser implementada como o IPv6 dava uns resultados inimagin√°veis. Seus clientes diziam pra ele que tinha que criar VPN e confer√™ncias com outras partes do mundo, que suas filiais, clientes e parceiros de neg√≥cios na Europa e √Āsia j√° tinham o IPv6, portanto o IPv4 n√£o era importante para eles.

O ISP grande, a pesar de ser t√£o poderoso come√ßou a ter problemas internos, mas n√£o eram problemas de faturamento ou dinheiro. Eram reclama√ß√Ķes do pessoal encarregado das vendas que n√£o podiam fechar as mesmas porque os clientes come√ßaram a pedir o IPv6 e eles, sendo t√£o grandes e importantes, simplesmente n√£o tinham. Os clientes corporativos pediam o IPv6, usu√°rios residenciais tamb√©m requeriam o mesmo, inclusive grandes licita√ß√Ķes do estado.

Quando isso come√ßou a acontecer, o Gerente de Vendas foi reclamar aos departamentos de Produto, Engenharia e Opera√ß√Ķes. Esses √ļltimos ficaram sem o que dizer e alguns funcion√°rios foram removidos pelos empres√°rios. No final, o departamento de vendas n√£o se importava de quem era o erro, simplesmente n√£o podiam obter novos clientes. Mais tarde, alguns vendedores ao perceber que estavam perdendo clientes, foram contratados pelo ISP pequeno que estava procurando pessoal, j√° que agora podia pagar grandes vendedores porque na realidade j√° n√£o era t√£o pequeno assim. Aconteceu a mesma coisa com o chefe de redes do ISP grande que sabia muito do IPv6 mas a burocracia n√£o tinha permitido que ele levasse a produ√ß√£o o novo protocolo. Logicamente, o chefe de redes trouxe a seu administrador de servidores de confian√ßa e seu pessoal de seguran√ßa. O ISP grande n√£o podia acreditar o que estava acontecendo. Os vendedores do ISP grande contratados pelo ISP pequeno vinham com sua enorme carteira de clientes, todos potenciais para serem instalados.

Estava por vir uma debandada de clientes do ISP grande. Passavam os meses e o ISP pequeno já não oferecia apenas Internet: sua Data Center era muito maior, importantes empresas trouxeram servidores novos, de cachê e muito mais. Agora ofereciam co-location, hosting, virtual hosting, voz, vídeo e mais.

Quando o provedor grande quis implementar o IPv6, teve que fazer as coisas as pressas, portanto as coisas n√£o saiam bem, muitos erros, al√©m de que consultores e empresas se aproveitaram de seus problemas e cobravam muito mais para fazerem os trabalhos com a urg√™ncia requerida. Aumentou o downtime de rede, as liga√ß√Ķes ao call center e a sua prestigiosa reputa√ß√£o desmoronou.

Como é de se esperar, no final da historia todos na conto: clientes e provedores acabaram implementando IPv6, uns mais felizes do que os outros mas todos com o IPv6 nas suas redes.

Lento mas seguro: a implementação do IPv6 na América Latina e o Caribe

Por Jorge Villa *

Os criadores do IPv6 desde seus in√≠cios, visionavam que a Internet que hoje desfrutamos, usaria esse novo protocolo como base da comunica√ß√£o. Por√©m, isso¬† n√£o tem acontecido, por diversos motivos, que v√£o de aspectos puramente econ√īmicos at√© uma fraca compreens√£o da import√Ęncia do IPv6 para a atual e futura Rede de Redes, em que a mobilidade e a integra√ß√£o das “coisas”, dados e processos est√£o mudando muitos paradigmas e provocando uma nova onda de inova√ß√£o.

Apesar dos esfor√ßos realizados por promover e adotar o novo protocolo, no final de 2014, o tr√°fego sobre o IPv6 foi apenas 5% do total na Internet (segundo dados do Google). Embora pudesse parecer para alguns um n√ļmero desprez√≠vel, √© interessante avaliar a tend√™ncia de crescimento, j√° que no come√ßo de 2013, apenas atingia 1% do tr√°fego. O crescimento nos √ļltimos 24 meses tem sido quase exponencial, e o ritmo ainda √© ascendente.

Combinando dados do Google e ¬†APNIC, √© poss√≠vel perceber que as √°reas com maior visibilidade no que diz respeito √† penetra√ß√£o do IPv6 s√£o a B√©lgica, Su√≠√ßa, Luxemburgo, Alemanha, Estados Unidos, Noruega, Fran√ßa, Rom√Ęnia e Peru (principal representante¬† da regi√£o na lista). Resulta interessante que √°reas com trabalho est√°vel quanto ao IPv6 como o Brasil e pa√≠ses asi√°ticos (destacando a China e a √ćndia) ainda n√£o apare√ßam em posi√ß√Ķes de destaque na estat√≠stica.

Desde setembro do ano passado come√ßaram a vigorar as pol√≠ticas restritivas para designa√ß√£o de endere√ßos IPv4 nos cinco Registros Regionais da Internet (RIR). Ainda quando √© poss√≠vel obter endere√ßos IPv4 sob determinadas condi√ß√Ķes, resulta cada vez mais dif√≠cil propor crescimentos sustentados usando o IPv4. Salvo AFRINIC, o registro da √Āfrica, os outros Registros Regionais disp√Ķem de pouca quantidade de endere√ßos, e o mesmo acontece com o Registro Central (operado pela IANA) que se alimenta de blocos de endere√ßos IPv4 que t√™m sido recuperados para depois serem realocados de forma equitativa entre as cinco regi√Ķes geogr√°ficas em que o mundo da Internet est√° dividido. Essa situa√ß√£o dever√°, necessariamente, levar a uma maior ado√ß√£o do IPv6.

No caso particular da regi√£o da Am√©rica Latina e o Caribe, a maior percentagem de designa√ß√Ķes IPv6 que tem realizado LACNIC foram para Provedores de Servi√ßos da Internet (ISP)e Registros Locais da Internet (LIR), ocupando o segundo lugar no mundo nessa modalidade (depois da Europa). Quanto a designa√ß√Ķes para organiza√ß√Ķes que n√£o revendem servi√ßos a terceiros (conceitualizados como usu√°rios finais nesse contexto), nossa regi√£o apenas supera a √Āfrica. Apesar desses n√ļmeros, LACNIC det√©m a maior percentagem de usu√°rios com blocos de endere√ßos IPv4 e IPv6.

O fato de que a maioria de quem possui prefixos IPv6 na Am√©rica Latina e o Caribe sejam LIR/ ISP pressagia que a regi√£o est√° atualmente em condi√ß√Ķes favor√°veis para um crescimento significativo no uso desse protocolo. O Brasil lidera amplamente o total de designa√ß√Ķes, seguidos a distancia pela Argentina; ¬†enquanto que a Col√īmbia, M√©xico e Chile est√£o no mesmo caminho mas alguns passos mais afastados.

No entanto, o esfor√ßo para integrar o IPv6 a grande escala na atual infraestrutura da Internet, n√£o¬† pode ser realizada apenas por parte da comunidade de n√ļmeros da Internet. . √Č vital¬† no processo o envolvimento de¬† todos os setores tais como governos, sociedade civil, operadores de redes, desenvolvedores de aplicativos e conte√ļdos, entre outros.

A Corpora√ß√£o para a Designa√ß√£o de N√ļmeros e Nomes na Internet (ICANN) √© a respons√°vel da coordena√ß√£o global do sistema de identificadores √ļnicos da Internet e de seu funcionamento est√°vel e seguro.¬† Sua concep√ß√£o inclui a participa√ß√£o de diferentes setores envolvidos e interessados no desenvolvimento da Internet. Nesse cen√°rio, a √ļnica representa√ß√£o da comunidade de n√ļmeros √© a Organiza√ß√£o de Apoio para Endere√ßos (ASO).

No Conselho de Endere√ßos (AC) da ASO, hoje represento √† regi√£o latino-americana e caribenha. Embora nossa principal responsabilidade est√° baseada na cria√ß√£o de pol√≠ticas globais que dirigem o trabalho entre o Registro Central e os RIR, durante v√°rias das √ļltimas reuni√Ķes da ICANN (aproveitando a composi√ß√£o multissetorial da plateia) temos preparado e ministrado tutoriais sobre o IPv6. Da mesma forma, estabelecemos sess√Ķes de trabalho com os diferentes setores presentes, visibilizando o trabalho da comunidade de n√ļmeros. No pr√≥ximo m√™s, em Singapura, ser√° realizada a primeira reuni√£o anual da ICANN em 2015. Felizmente, em junho ser√° celebrada a segunda reuni√£o em Buenos Aires, na Argentina, que deve ser uma nova oportunidade para promover a ado√ß√£o do IPv6 na regi√£o.

Com o IPv6, a América Latina e o Caribe tem a oportunidade de participar com vantagem nessa mudança global da Internet. Devemos confiar em nossas forças e capacidades, obter resultados e não desperdiçar o momento, à espera de um guia por parte dos países mais desenvolvidos, porque mais uma vez ficaríamos para trás e não poderíamos implementá-lo corretamente.

  • Representante da regi√£o latino-americana e caribenha no Conselho de Endere√ßos (AC) da ASO.

Retrospectiva: Acesso IPv6 na região da América Latina e o Caribe (LAC)

Neste ano desejo escrever um texto um pouco diferente aos anteriores. Por quê? Porque existem diferentes aspectos aos dos anos anteriores, vou falar apenas de dois para não me estender e para respeitar os seus tempos.

a) Este vai ser meu √ļltimo per√≠odo como moderador da lista. N√£o vou me candidatar para 2015-2017 (de aqui a pouco haver√° uma chamada para candidatos), e

b) Na mina opinião pessoal, a implementação do IPv6 neste ano tem sido significativa na região da LAC.

Com base no exposto, pontualmente no item n√ļmero 2 e levando em conta que o ano 2014 est√° finalizando, este √© o melhor momento para usar a palavra ‚ÄúRetrospectiva‚ÄĚ, definida na Wikip√©dia [1] como: “… rever e relembrar eventos que j√° ocorreram…”, vamos¬† comentar acerca disso na nossa regi√£o.

Vou deixar para vocês a minha humilde análise mesmo sem ser estatista e escritor.

1) O Caso Peru:
Este caso espec√≠fico tem sido muito discutido na lista. Tanto assim que levou a uma das mais tormentosas trocas de correios nos √ļltimos anos [2], [3] e [4].

Neste momento, segundo os dados do Google, a penetra√ß√£o do tr√°fego IPv6 no pa√≠s √© 10%, sendo o √ļnico pa√≠s da regi√£o com dois d√≠gitos e que se aproxima ao grupo mundial de pa√≠ses com¬† penetra√ß√£o maior a 10% junto com a¬† Alemanha (12.35), USA (10.95), Su√≠√ßa (10.28) (espero n√£o ter esquecido nenhum pa√≠s).

Como informa√ß√£o adicional, desde LACNIC temos come√ßado o observat√≥rio de tr√°fego IPv6 para os pa√≠ses de nossa regi√£o em maio deste ano, especificamente para o Peru, nossas primeiras medi√ß√Ķes devam na √©poca um grau de penetra√ß√£o de 4.6%, observando quedas at√© de 3.4%. Depois do dia 18 de junho apreciamos um crescimento sustentado de tr√°fego IPv6, ultrapassando como foi dito acima, o 10%.

2) O Caso Equador
O Equador √© um pa√≠s com uma taxa relativamente baixa de penetra√ß√£o da Internet na popula√ß√£o (35% para ¬†2012 segundo [6]) por√©m com uma infraestrutura que tem melhorado notavelmente nos √ļltimos 2.5 anos – segundo [7]-.¬† Por isso vou trabalhar na base de que o Equador tem uma penetra√ß√£o da Internet de 40%.

Para nosso observatório, o Equador é o país com maior velocidade de adoção do IPv6 na região, em menos de 60 dias passaram de ter menos de 1% a mais de 3.6%.

Considerando que 40% de ~16.000.000 da população tem Internet dizemos que passaram de: 64.000 assinantes para 229.000 entre outubro e dezembro.

3) O caso do Brasil
Para este caso em particular eu houvesse querido chegar a estatísticas de dispositivos conectados, computadores no país, mas não consegui obter  dados atualizados (apenas até 2011), mas do mesmo jeito eu queria apontar:

Segundo [5], o Brasil tem 202.000.000 de habitantes, em que 107.822.831 (2014) são usuários da Internet, os que representam 53% da população.

Com base em que, neste momento, a taxa de penetração de IPv6 para este país indica 0.17% podemos assumir que há 183.298 usuários.

Tenho certeza que muitos ir√£o pensar que o n√ļmero √© baixo, mas desde maio de 2014 at√© meados de agosto foi um n√ļmero fixo de 0.03%, isto √©, apenas 60.000 usu√°rios, o n√ļmero de assinantes aumentou mais de 280.000 em um per√≠odo de 7 meses, isso significa um aumento maior a 400%.

Finalmente, d√° para perceber que aumentar a percentagem de um pa√≠s como o Brasil √© muito complexo devido a sua enorme popula√ß√£o. Se falarmos de qualquer outro pa√≠s, um aumento de 200.000 assinantes afeta bastante os term√īmetros do IPv6.

4) O caso da Bolívia

A Bolívia parece ser um evento MUITO importante mas que está ocorrendo deforma despercebida.  Não houve discussão na lista e, pessoalmente, não tenho ouvido muito (nada?) na mídia.

Mas definitivamente eles merecem um aplauso, nossos respeitos e nossos parabéns.

Hoje, o país tem  ~0.70% do tráfego do IPv6, tendo começado sua implementação no meio do ano com maior ênfase no final de agosto.

Por agora, o n√ļmero global do pa√≠s n√£o est√° aumentando de forma significativa, porque, aparentemente, √© um pequeno fornecedor (cooperativa), que est√° realizando a implanta√ß√£o. Da mesma forma, mais uma vez estendo meus parab√©ns.

5) A média da LAC
Dentro das medi√ß√Ķes realizadas por LACNIC temos calculado a m√©dia dos pa√≠ses da regi√£o, que atinge cerca de 0.5%.

Segundo a minha visão, o ponto para salientar na LAC é que para meados de junho a percentagem era 0.12%…, quer dizer que no período de seis meses quadruplicou a adoção do IPv6 na região.

Que se espera para  2015?
Indiscutivelmente todos nós queremos uma implementação muito forte para o próximo ano na região da LAC. Lembro que começando 2014 eu previ 0.4% para o fim do ano e, felizmente, eu fiquei curto (estou muito feliz de ter errado!!!)

Minha predi√ß√£o -e estou falando apenas para que fique p√ļblico-, √© que em 2015 vamos atingir 2.5%, mas na verdade, n√£o √© f√°cil ter certeza, quem sabe fica at√© mais dif√≠cil que dar o progn√≥stico do tempo e do futebol juntos.¬† S√£o muitas as organiza√ß√Ķes que sabemos est√£o implementando o IPv6, tais como universidades, governos, ISP, em todos os pa√≠ses e em todas as regi√Ķes. Obviamente, eu espero ficar curto com esses dados, mas apenas indicar 5 vezes o n√ļmero atual √© bastante promissor.

Mais uma vez: alguma killer application?

Eu quero mencionar algo muito marcante que aconteceu várias vezes neste ano e eu acho que é um grande motivador:

Houve muitas empresas na LAC que queriam se conectar com empresas na √Āsia… Na LAC tinham IPv4 mas na √Āsia n√£o, isto √©, necessitavam o IPv6 para se comunicar, isso provocou com que o ISP na nossa regi√£o tivesse que implementar o IPv6 de forma urgente para n√£o perder o cliente. Com isso, devemos lembrar que os pa√≠ses n√£o est√£o sozinhos, a Internet n√£o tem fronteiras, os pa√≠ses precisam se comunicar com o resto do mundo. Os pa√≠ses que n√£o implementarem o IPv6 correm o risco de ficar isolados. Quem sabe voc√™s ainda t√™m o IPv4 mas do outro lado n√£o necessariamente v√£o ter.

Alejandro Acosta,
Moderador LACTF
Chair FLIP6

Um sinal de alarme

‚ÄúA regi√£o n√£o est√° preparada‚ÄĚ para usar o IPV6 porque a grande maioria dos operadores e organiza√ß√Ķes da Am√©rica Latina e o Caribe est√° ‚Äúesperando que seus recursos IPv4 acabem‚ÄĚ para ‚Äúcome√ßar a pensar‚ÄĚ no √ļltimo protocolo da Internet, garante de forma acentuada Jaris Aizpr√ļa, engenheiro na Huawei e participante ativo das oficinas de IPv6 de LACNIC.

Jaris afirma que as organiza√ß√Ķes deveriam tomar consci√™ncia hoje da necessidade do IPv6 ‚Äúe n√£o quando come√ßarem a se esgotar suas reservas de IPv4‚ÄĚ.

Em di√°logo com LACNIC News, Aizpr√ļa afirma que o primeiro passo para o IPv6 deve ser uma capacita√ß√£o sobre o imperativo de usar esse protocolo.

O grande desafio é usar o IPv6 após o esgotamento do IPv4. A região está preparada? Tem sido realizado o esforço suficiente para evitar o freio do desenvolvimento da Internet?

Sobre estar preparados, eu acho que não, já que temos esperado o esgotamento dos recursos IPv4 para começar a pensar no IPv6.

As empresas da regi√£o est√£o cientes da necessidade de usar o IPv6?

A maioria ainda n√£o, j√° que ainda disp√Ķem de recursos IPv4 suficientes como para pensar no IPv6; de fato, uma vez que ainda t√™m conex√£o √† Internet, ficam despreocupados do IPv6.

O que voc√™ considera que faz falta para impulsionar o √ļltimo protocolo da Internet na Am√©rica Latina?

As pessoas deveriam tomar consciência hoje da necessidade do IPv6 e não quando começarem a se esgotar suas reservas de IPv4; a capacitação é uma questão prioritária, não tanto do ponto de vista técnico mas especificamente sobre a necessidade do IPv6.

Em sua opinião, o que pode acontecer na região se alguns países avançarem mais do que outros na implementação e uso do IPv6?

Eles poderão aproveitar os benefícios do IPv6 ao máximo, por exemplo, a conectividade End-to-End, a Internet das coisas, etc.

Como é a situação da implementação do IPv6 no Equador?

Muito fraca. Na atualidade, apenas um ISP fornece IPv6 a usuários residenciais, o que é considerado um grande avanço se pensarmos que esses usuários são os que mais demandam recursos IPvX e tráfego da Internet; o resto dos provedores ainda não estão fazendo, as empresas também não têm habilitado IPv6 nos seus serviços, principalmente as entidades de governo as que deveriam ter prioridade pelo alto tráfego local existente na atualidade.

 

Sem o IPv6 os ‚Äúpa√≠ses n√£o poder√£o se comunicar uns com os outros‚ÄĚ

Sem o IPv6 os ‚Äúpa√≠ses n√£o poder√£o se comunicar uns com os outros‚ÄĚ

A América Latina e o Caribe vivem uma situação díspar em relação à adoção do mais recente protocolo da Internet, o IPv6, apesar dos esforços de LACNIC e da comunidade para acelerar sua expansão e uso no continente. De um lado, há países que têm avançado e já têm até 9% do seu tráfego com esta tecnologia, e do outro há territórios que não têm sequer implantado o IPv6.

Alejandro Acosta, engenheiro de inovação e desenvolvimento de LACNIC, afirma que existe um grande risco de que os países não possam se comunicar uns com os outros por falta da adoção desse protocolo da Internet que oferece grandes vantagens respeito ao anterior, o IPv4.

Durante o evento de LACNIC no Chile, Acosta

Voc√™ acha que as empresas e organiza√ß√Ķes da regi√£o s√£o cientes da import√Ęncia do uso do IPv6?

√Č uma pregunta complexa. H√° muitas organiza√ß√Ķes que sim s√£o cientes dessa realidade e, portanto t√™m realizado trabalhos a esse respeito. Por√©m, a maioria das organiza√ß√Ķes na Am√©rica Latina e o Caribe, tenho certeza de que ainda n√£o tomaram consci√™ncia. Eu acredito que 2015 vai ser um ano muito significativo na difus√£o e ado√ß√£o do IPv6 por parte das organiza√ß√Ķes privadas.

Que est√° faltando para dar maior impulso ao IPv6?

Eu acho que é uma combinação de muitas coisas. Os governos têm que tomar uma posição mais firme respeito a essa situação no sentido de incentivar a adoção do IPv6 em seus países. Os ISP, os usuários, os internautas e as universidades também podem ajudar na difusão do protocolo.

Que poderia acontecer na região da América Latina e o Caribe se alguns países avançarem mais no IPv6 do que outros?

Esta quest√£o tem sido debatida muito na Europa onde h√° n√≠veis dispares de desenvolvimento, e a resposta √© muito simples: infelizmente, os pa√≠ses que se atrasem, v√£o ficar isolados, porque a Internet n√£o tem fronteiras e os pa√≠ses t√™m o imperativo de se conectar com o mundo. Que vai acontecer? Pa√≠ses que tiverem adotado o IPv6 e quiserem se conectar com o pa√≠s que ainda n√£o tiver adotado, n√£o v√£o poder se comunicar com eles. Isso afetar√° as organiza√ß√Ķes que est√£o em ambos os pa√≠ses. E isso j√° tem acontecido em v√°rios ISP. Clientes de ISP na regi√£o, em que o ISP n√£o estava oferecendo o IPv6, tiveram de se mudar para outro ISP que sim estivera oferecendo o IPv6.

Que países estão mais avançados na região?

Neste momento, o Peru tem uma adoção maior a 9%. Os países menos avançados são centro-americanos.

Que benefícios vai ter o usuário final com o IPv6?

Muitos. Eu vou mencionar apenas dois. O primeiro é conectar uma grande quantidade de dispositivos em seu lar ou na sua empresa diretamente à Internet: isso vai trazer à Internet das coisas. O segundo benefício é o fato de que os aplicativos não vão falhar.

Simples conselhos sobre endereçamento IPv6 (para ISP)

Alejandro Acosta
por Alejandro Acosta

O modelo geral de um operador pode ser apreciado como um pequeno caso da IANA para os RIR.

Em geral, um provedor ao receber um bloco IPv6 por parte do seu RIR deve ter um plano de endereços IPv6 (da mesma forma que no IPv4).

Graças ao enorme espaço de IPv6, designar blocos específicos para determinadas tarefas, tornou-se muito comum. Por exemplo:

  • a) Bloco de endere√ßos para redes WAN
  • b) Bloco de endere√ßos para LAN
  • c) Um espa√ßo para Loopbacks para diferentes dispositivos
  • d) Um espa√ßo para ULA (Unique Local IPv6 Unicast Addresses RFC 4193) se for necess√°rio
  • e) Um espa√ßo para Core de rede
  • f) Bloco de endere√ßos para clientes

Uma prática importante por motivos de segurança é não designar os blocos e os endereços de forma consecutiva, lembre-se de que o espaço do IPv6 é enorme e, adicionalmente, que desejamos realizar uma implementação o menos vulnerável possível.

As melhores pr√°ticas apontam:

  • H√° que designar /64 para Loopbacks
  • /64 para LAN
  • /64 para WANs (ou designar /127 e reservar o /64)
  • /48 para POPs

√Č muito importante trocar o nosso Switche, j√° n√£o estamos em IPv4 e os conceitos de poupan√ßa de Ips desaparecem.

Na pr√°tica, vamos trabalhar com os bits entre /32 e /48. √Č realmente muito simples. Lembre-se de que o IPv6 est√° dividido em 8 campos de 16 bits cada um. O que vamos fazer √© brincar com uma parte dessa nomenclatura. No exemplo acima faremos o seguinte:

[___ NET  ID __     ]   [Subnet]  [Divisão]   [________  Interfase ID ____________]

2001:0db8:0000:0000:0000:0000:0000:0000

[C1]          [C2]         [C3]          [C4]            [C5]          [C6]           [C7]          [C8]

Neste caso, o que fazemos é brincar com o terceiro campo de zeros (Subnet). Ali temos especificamente 16 bits = 65535 subnets que podemos criar para diferentes necessidades. Um plano de endereçamento pode ser o seguinte:

Plano de endereçamento (macro):

a) Para loobacks:

  1. Pegar todo o 2001:db8:00000000::/48
  • 2001:db8:0:0::1/64 Loopback #1
  • 2001:db8:0:1::43/64 Loopback #2
  • 2001:db8:0:2::00A7/64 Loopback #3

b) Segmentos LANs:

  1. Pegar todo o 2001:db8:000E::/48
  • 2001:db8:000E:0::/64 Segmento LAN #1
  • 2001:db8:000E:23::/64 Segmento LAN #2
  • 2001:db8:000E:286::/64 Segmento LAN #3

c) Para WANes

  1. Pegar todo o 2001:db8:005A::/48
  • 2001:db8:005A:0::/64 Segmento WAN #1
  • 2001:db8:005A:42::/64 Segmento WAN #1
  • 2001:db8:005A:00C2::/64 Segmento WAN #1

d) Para POPs

  1. 2001:db8:00D9::/48 Ponto de Presença #1
  2. 2001:db8:139::/48    Ponto de Presença #1
  3. 2001:db8:02FD::/48  Ponto de Presença #1

Conselhos adicionais:

1) Uma prática que queremos mencionar muito rapidamente e deixamos ao juízo do leitor é designar prefixos IPv6 por tipo de serviços. Por exemplo: imagine uma Datacenter que forneça a seus clientes os serviços de hosting compartilhado (Virtualhosting) e servidores dedicados a seus usuários (independentemente de físico ou virtual), o provedor de serviços pode designar diferentes redes /48 para essas plataformas. Entre as vantagens podemos citar:

  • Gerenciamento mais simples da qualidade de servi√ßos dentro da rede do provedor
  • Publica√ß√£o de prefixos /48 por BGP por servi√ßos e mais flex√≠vel
  • Tratamento mais cuidadoso aos clientes VIP
  • Localiza√ß√£o e resolu√ß√£o de problemas com mais facilidade

2) Por √ļltimo, naquelas organiza√ß√Ķes multi-pa√≠s/multi-prov√≠ncia/estado podem ser feitas cosas simples e simp√°ticas que v√£o trazer benef√≠cios a longo prazo. Por exemplo: a empresa tem presen√ßa na Argentina, Col√īmbia e Venezuela, seus c√≥digos de pa√≠s s√£o: 54, 57 e 58 respectivamente. Observe o campo n√ļmero 3 no seguinte endere√ßamento IPv6:

Bloco: 2001:db8:0:0:0:0:0:0/32:

  • ¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Argentina: 2001:db8:54:0:0:0:0:0/48
  • ¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Col√īmbia: 2001:db8:57:0:0:0:0:0/48
  • ¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬†¬† Venezuela: 2001:db8:58:0:0:0:0:0/48

No caso anterior usamos os códigos de país, mas perfeitamente poderiam ter sido usados os códigos dos estados ou províncias. Inclusive, o terceiro campo pode ser o país o quarto, o estado.

  • Venezuela: 2001:db8:58:212:0:0:0:0/56¬† (212=Cidade de Caracas)

Esperamos que esses concelhos sejam √ļteis para voc√™.

Por mais informa√ß√Ķes acesse: www.lacnic.net

Não há mais endereços IPv4 na América Latina e o Caribe

Hoje a região entrou definitivamente na fase de esgotamento da velha tecnologia da Internet (IPv4);  preocupa atraso na implementação do novo protocolo IPv6 nas redes da região.

A Casa da Internet da América Latina e o Caribe, 10 de junho.- O Registro de Endereçamento da Internet para a América Latina e o Caribe (LACNIC), responsável pela designação de recursos para essa região, anunciou hoje o esgotamento do estoque dos endereços IPv4 e expressou sua preocupação pela demora dos operadores e governos em implementar o protocolo da Internet (IPv6) na região.

LACNIC informou hoje que tendo atingido os 4.194.302 endereços IPv4 em seu estoque, entram em vigor políticas restritivas para a entrega de recursos da Internet no continente, que na prática significam o esgotamento dos endereços do IPv4 para os operadores de redes na América Latina e o Caribe.

“Estamos diante de um fato hist√≥rico que n√£o por ser esperado e anunciado, √© menos importante”, afirmou o CEO de LACNIC, Ra√ļl Echeberr√≠a. “A partir de agora LACNIC e os Registros Nacionais somente podem designar quantidades muito pequenas de endere√ßos IPv4, insuficientes para atender √†s necessidades de nossa regi√£o”. A organiza√ß√£o j√° entregou mais de 186 milh√Ķes de endere√ßos IPv4 na Am√©rica Latina e o Caribe desde o in√≠cio de suas opera√ß√Ķes em 2002.

Mais informa√ß√Ķes : http://www.lacnic.net/pt/web/anuncios/2014-no-hay-mas-direcciones-ipv4-en-lac

LACNIC re√ļne-se com autoridades e operadores da Am√©rica Latina por mudan√ßa de protocolo da Internet

O Registro de Endere√ßamento da Internet para a Am√©rica Latina e o Caribe (LACNIC) come√ßou, uma s√©rie de visitas e reuni√Ķes com autoridades e empres√°rios da Am√©rica Latina para informar sobre o iminente esgotamento do estoque regional dos endere√ßos IPv4 e as mudan√ßas tecnol√≥gicas que devem ser implementadas para permitir o normal desenvolvimento da Internet nesse pa√≠s.

Os endereços IP são um recurso finito e vital para o correto funcionamento da Internet, e neste ano, existem desafios importantes decorrentes principalmente do começo de uma nova etapa, em que a disponibilidade de endereços IP versão 4 (IPv4) vai ser cada vez menor. Esta nova etapa requer da participação ativa de todos os atores relevantes a fim de torná-la o mais suave possível, garantindo o crescimento contínuo da Internet através de uma correta transição para a versão 6 (IPv6) do protocolo da Internet, de forma estável e segura em todos os países da região.

De fevereiro a final de mar√ßo, especialistas de LACNIC visitaram organiza√ß√Ķes de governo e provedores da Internet da Venezuela, Panam√°, Col√īmbia, Equador, Peru, Trinidad e Tobago, Chile e Argentina para gerar consci√™ncia sobre o esgotamento iminente do IPv4 e a necessidade de concretizar a implementa√ß√£o definitiva do IPv6.

Mais de seis de cada dez organiza√ß√Ķes da Internet da regi√£o possuem pelo menos um bloco de endere√ßos IPv6, a nova tecnologia da Internet que substitui ao velho protocolo IPv4.

Brasil lidera o ranking dos pa√≠ses com maior quantidade de designa√ß√Ķes de IPv6, seguido pela Argentina, Col√īmbia, M√©xico, Chile, Costa Rica, Equador, nessa ordem, segundo os registros t√©cnicos de LACNIC.

Hoje cinco de cada dez latino-americanos tem acesso √† Internet, um n√ļmero que deve crescer nos pr√≥ximos 30 meses. Estima-se que haver√° 100 milh√Ķes de novos usu√°rios da Internet quando chegarmos a 2015, totalizando 355 milh√Ķes de internautas na Am√©rica Latina e o Caribe.


Estado do IPv4 no final de 2012

Mesmo sabendo que o espa√ßo de endere√ßamento IPv4 est√° chegando ao fim, este artigo apresenta uma s√≠ntese do estado da disponibilidade dos endere√ßos IPv4 no final de 2012, tanto a n√≠vel global quanto regional. As informa√ß√Ķes contidas aqui podem ser achadas em diferentes sites da Internet aos que fazemos refer√™ncia, mas n√£o est√£o compiladas em um √ļnico lugar, nem totalmente traduzidas para as l√≠nguas da nossa regi√£o.

Assume-se que o leitor conhece o sistema actual de aloca√ß√£o e designa√ß√£o de endere√ßos na Internet e a rela√ß√£o entre a IANA, os registros regionais e os ISP/ usu√°rios finais. Para mais informa√ß√Ķes sobre o assunto, acesse o site da IANA: http://www.iana.org/numbers

Endereços disponíveis por parte da IANA

Em fevereiro de 2011, o estoque central de endere√ßos IPv4 administrado pela IANA (Internet Assigned Numbers Authority) estava finalmente esgotado. Nesse momento, por ficarem dispon√≠veis apenas cinco blocos /8, foram entregues a cada um dos cinco RIR, em concord√Ęncia com a pol√≠tica global em vigor. Acesse esta nota e veja a cerim√īnia de entrega e outras informa√ß√Ķes relacionadas: http://lacnic.net/sp/anuncios/2011-agotamiento-ipv4.html

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Para ver um mapa completo da alocação dos 256 blocos /8 originais, pode acessar o site da IANA: http://www.iana.org/assignments/ipv4-address-space/ipv4-address-space.xml

A partir desse momento, cada RIR come√ßou a dispor somente do seu estoque de endere√ßos IPv4 o que levou a realizar diferentes previs√Ķes do esgotamento dos endere√ßos IPv4 dispon√≠veis, de acordo com a regi√£o envolvida. A seguir, uma an√°lise da situa√ß√£o em cada uma das regi√Ķes de cobertura dos cinco registros regionais.

Endereços disponíveis por parte dos RIR

Todos os registros regionais t√™m uma pol√≠tica que entra em vigor a partir da que se considera uma situa√ß√£o de esgotamento “na pr√°tica” dos recursos IPv4. Essa situa√ß√£o acontece em geral quando se chega ao √ļltimo bloco /8 dispon√≠vel, embora no caso do LACNIC s√£o reservados dois blocos /12. A partir dessa situa√ß√£o de “esgotamento virtual”, os registros regionais n√£o continuam designando endere√ßos IPv4 em fun√ß√£o da necessidade mas sim estabelecem um limite m√°ximo por organiza√ß√£o, normalmente um /22. Uma vez atingida essa situa√ß√£o, considera-se que o registro tem esgotado seu estoque ‚Äďainda que o RIR disponha de endere√ßos- j√° que n√£o pode satisfazer a procura real das organiza√ß√Ķes/ ISP.

APNIC

O primeiro registro regional em esgotar seu estoque de endere√ßos IPv4 foi APNIC. Em 15 de abril de 2011 come√ßou a ser usado o espa√ßo do √ļltimo bloco /8 dispon√≠vel, momento a partir do qual entrou em vigor uma pol√≠tica que s√≥ permite designar no m√°ximo um bloco /22 por organiza√ß√£o (nova ou j√° existente), por uma √ļnica vez. Veja a informa√ß√£o no site de APNIC: http://www.apnic.net/publications/news/2011/final-8

Resulta interessante analisar o seguinte gr√°fico de Geoff Huston que mostra claramente a situa√ß√£o de escassez que se produze a partir de abril de 2011: se a m√©dia da procura (e designa√ß√£o) de endere√ßos em 2010 era da ordem de 2 milh√Ķes por semana, a partir da entrada em vigor da pol√≠tica do “√ļltimo /8″, a designa√ß√£o de endere√ßos √© praticamente insignificante. Nota-se tamb√©m uma acelera√ß√£o da procura nas primeiras semanas de 2011, motivadas pela proximidade da entrada em vigor dessa pol√≠tica.

RIPE-NCC

Em 14 de setembro de 2012, o registro regional da Europa tamb√©m come√ßou a usar o √ļltimo bloco /8 do seu estoque. A partir desse momento, a pol√≠tica vigente indica que somente ser√£o outorgados no m√°ximo blocos /22. Pode acessar a not√≠cia nos seguintes links do site de RIPE:

488308_10152089993770023_1462138364_n

ARIN, LACNIC e AfriNIC

Esses 3 registros n√£o tiveram ainda que usar o seu √ļltimo bloco e existem diferentes estimativas da data em que come√ßar√£o a faz√™-lo. Uma das estimativas mais conhecidas √© a de Geoff Huston, dispon√≠vel no seguinte link: Relat√≥rio de endere√ßos IPv4: http://www.potaroo.net/tools/ipv4/index.html

Data projetada do esgotamento do estoque de
endereços dos RIR:
RIR Data
esgotamento projetada
Endereços
restantes no estoque dos RIR (/8s)
APNIC:

19-abril-2011 (atual)

0.8937
RIPE
NCC:

14-setembro-2012 (atual)

0.9457
ARIN:

08-junho-2014

3.0049
LACNIC:

23-setembro-2014

2.8762
AFRINIC:

22-fevereiro-2021

3.8043

Veja de uma forma mais gr√°fica no seguinte link: http://www.potaroo.net/tools/ipv4/plotend.png

Por sua vez, o LACNIC tamb√©m tem suas pr√≥prias previs√Ķes acerca da data de esgotamento de seus recursos IPv4: http://www.lacnic.net/web/lacnic/reporte-direcciones-ipv4

Vale a pena mencionar os relatórios periódicos comparativos dos diferentes RIR que vem publicando o NRO (www.nro.org), disponíveis no seguinte link: http://www.nro.net/statistics

Conclus√Ķes

Como se pode ver, uma parte importante da Internet mundial encontra-se em √°reas cujos registros regionais j√° t√™m esgotado seus recursos IPv4 e onde as novas exig√™ncias para novos endere√ßos IP encontram fortes restri√ß√Ķes. Al√©m disso, se nos basearmos nos progn√≥sticos mencionados antes, podemos assumir que no segundo semestre do ano pr√≥ximo, a maior parte da Internet n√£o vai ter recursos IPv4 suficientes. Por tudo isso, √© conveniente come√ßar a considerar esgotado o protocolo IPv4 e come√ßar a pensar numa Internet baseada em IPv6. Particularmente na nossa regi√£o, dever√≠amos considerar que apenas temos um ano e meio para adotar a nova vers√£o do protocolo IP e assim evitar os problemas que v√£o resultar da escassez de endere√ßos IPv4.

Referências

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