Costa Rica: o impulso do IPv6 a partir do setor público

A Costa Rica é um dos países da região que implementou um plano para impulsionar a partir do setor público a implementação do IPv6 de modo que as instituições do Estado sejam um exemplo e vetor de inovação.

O vice-ministro das Telecomunicações da Costa Rica, Edwin Estrada Hernández, revelou que seu governo está elaborando um estudo do estado de situação do IPv6 nas instituições estatais desse país e os prestadores de serviços da Internet da região da América Central. Nesse sentido mostrou-se convencido de que os lineamentos emitidos pelo governo da Costa Rica irão promover uma mudança nos diferentes setores da sociedade.

 

Como você descreveria a situação atual da Internet na Costa Rica? Que percentagem da população tem acesso à Internet de qualidade no seu país?

A partir da abertura do sector das telecomunicações, a Costa Rica tem experimentado um rápido crescimento no número de usuários da Internet. Em 2010, a penetração da Internet móvel foi de 13% enquanto que os indicadores para 2015 indicam que essa percentagem é de 100.57%.

No caso da penetração da Internet fixa, também tem se incrementado, passando de 8.40% em 2010, a 11.53% em 2015.

Estes dados refletem uma situação muito favorável para o país, em termos de acesso e uso da Internet pelos cidadãos.

Na Costa Rica, após um diagnóstico do IPv6, onde a falta de prioridade sobre essa questão e a falta de técnicos treinados foi reconhecida, o governo decidiu tomar medidas para assegurar a eficaz implementação deste protocolo. Como resultou esse processo?

Desde nosso país têm sido tomadas medidas para prevenir o atraso do Governo, como resultado deste processo. A importância desta questão é clara porque o Executivo dedicou dois dos objetivos do Plano Nacional para o Desenvolvimento das Telecomunicações para a implementação da nova versão do protocolo da Internet – IPv6, de modo que as instituições do Estado sejam um exemplo e vetor de inovação.

 

Que iniciativas concretas sobre o IPv6 têm impulsionado o setor público na Costa Rica?

Em relação às iniciativas específicas desenvolvidas pelo Vice-Ministério das Telecomunicações, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Telecomunicações (MICITT), em 2014 foi emitida a norma nº 049-MICITT, estabelecendo um prazo de 30 de junho de 2015, para a implementação do protocolo IPv6 nas instituições do setor público da Costa Rica. Além disso, essa norma insta às entidades a:

  • Elaborar um Plano de Implementação do IPv6.
  • Realizar um inventario do hardware e software que não suporta IPv6.
  • Incluir no Plano de Compras, como uma prioridade, a substituição de hardware e software que não suporte IPv6.

Para acompanhar às instituições neste processo de mudança tecnológica, o MICITT conjuntamente com o Instituto Nacional de Aprendizado realizam desde 2014 e até hoje, jornadas de formação de IPv6, através de um curso de 100 horas que trata dos aspectos teóricos sobre o funcionamento do protocolo e a configuração de equipamentos de rede no IPv6. Até hoje existem mais de 250 funcionários capacitados.

Além disso, com o objetivo de estabelecer um processo de diálogo e coordenação entre as diversas instituições do setor público, foi desenvolvido o Fórum TIC, que, através de uma lista de discussão, funciona como uma ferramenta para a troca de opiniões e consultas sobre o IPv6 e, geralmente, duvidas acerca da área das tecnologias de informação. O Fórum TIC tem registrado mais de 350 funcionários públicos.

Caso existam dificuldades técnicas concretas, o partir do Vice-ministério das Telecomunicações articulamos com diferentes instituições públicas, particulares e órgãos internacionais, que até hoje colaboraram amplamente, oferecendo respostas às perguntas e soluções aos problemas apresentados.

Estamos convencidos da importância desta questão para o mundo, por isso estamos trabalhando desde a Comissão Técnica Regional das Telecomunicações (COMTELCA) com a participação de LACNIC, para promover a adoção do IPv6 na região. Até o momento estamos realizando um estudo do estado de situação do IPv6 nas instituições governamentais e prestadores de serviços da Internet na região.

Também, no nosso país, elaboramos relatórios de monitoramento e avaliação que revelam os avanços da implementação.

 

Os ministérios têm cumprido com o Plano de Implementação do IPv6 delineado pelo governo?

Os desafios ainda são muitos, no entanto, alguns ministérios de governo (22%) já têm ativo o IPv6 nos seus sites. Adicionalmente, existem dois objetivos no Plano Nacional para o Desenvolvimento das Telecomunicações que instruem os ministérios a terem esta tarefa concluída em dezembro deste ano.

O cumprimento do objetivo será medido no final do ano, e estamos satisfeitos de saber que alguns ministérios já têm concluído.

Além disso, de acordo com a pesquisa realizada pelo Vice-ministério das Telecomunicações, em 2015, 59% das instituições públicas já incluem expressamente suporte do IPv6 como parte de seus requisitos no processo de aquisição de software e hardware.

O Plano Nacional para o Desenvolvimento das Telecomunicações “Costa Rica: uma sociedade conectada” tem como um dos seus eixos a adoção do IPv6 nos serviços públicos. Você acha que este plano pode se espalhar para o setor privado?

Estamos convencidos de que os lineamentos emitidos pelo Governo da Costa Rica irão promover uma mudança nos diferentes setores da sociedade, porque, como Estado estamos gerando demanda por serviços IPv6. Além disso, o Governo é um dos maiores compradores de tecnologia, o que nos coloca em uma posição favorável para promover a adoção do protocolo IPv6.

Como consequência da norma n° 049-MICITT, tivemos uma aproximação com operadores e prestadores de serviços de telecomunicações, com o objetivo de que eles ofereçam o serviço a seus clientes do governo.

 

Qual é a sua avaliação da reunião realizada por LACNIC na Costa Rica?

No âmbito do evento LACNIC 26/ LAGNOG 16 realizado no país de 27 a 30 de setembro de 2016, organizamos e realizamos uma reunião com os diretores de Tecnologias da Informação e Comunicação dos Ministérios do Governo, onde foi apresentado o estado atual dos objetivos constantes no Plano Nacional para o Desenvolvimento das Telecomunicações (PNDT), e que vamos enviar oportunamente para cada um dos chefes dos Ministérios, a fim de que tomem as medidas necessárias para que, no restante do ano, seja atingido o cumprimento de 100% de um dos objetivos. Além disso, aproveitamos a presença de especialistas internacionais para que, de primeira mão, partilhassem as suas experiências na implementação do IPv6, bem como os fatores de sucesso e boas práticas internacionais.

Consideramos que a reunião oferece um balanço positivo já que nos permite continuar avançando nos objetivos que como país estabelecemos e agradecemos a LACNIC todo o apoio oferecido.