A “killer application” para a implementação do IPv6

O novo moderador do Fórum Latino-americano do IPv6, o engenheiro mexicano Azael Fernández Alcántara, estima que a implementação do IPv6 deve ser estimulada na América Latina e o Caribe devido a que seu uso massivo ainda é incipiente.

Fernández Alcántara, responsável do projeto IPv6 da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) e coordenador dos grupos de trabalho do IPv6 na Corporação Universitária para o Desenvolvimento da Internet e em CLARA, aponta que a nível governamental poucos países da região impulsaram o IPv6, pelo que a academia e o setor privado tem liderado sua implementação.

Em diálogo com LACNIC News, Fernández Alcántara estimou que a Internet das coisas será a “killer application” para acelerar a implementação do IPv6 por tornar-se imperativo recorrer a este protocolo para novos usos e dispositivos.

Como você observa que está sendo desenvolvida a implementação do IPv6 na América Latina e o Caribe?

Está sendo implementado a um ritmo relativamente aceitável, especialmente em países como Peru, Equador e Brasil. No entanto, ainda faltam mais implementações maciças públicas e de grande volume de usuários.

Quais são os setores que para você estão mais desenvolvidos no IPv6 e quais menos?

Se nos referimos a sectores como os de caráter acadêmico, governamental e empresarial então, o primeiro, o acadêmico na nossa região, em muitos casos está bem desenvolvido, mas como nos países comentados o setor de caráter acadêmico-empresarial é o que mais avanços atingiu.

A nível governamental somente países como Cuba e Colômbia definiram boas políticas encaminhadas a promover o uso do IPv6.

Você acredita que a região está realizando um processo adequado de migração para o IPv6 em relação ao resto do mundo?

Sim, mas mais do que migração, que é tirar ou deixar de usar o IPv4 para implementar e usar o IPv6, é uma convivência e uma transição para o IPv6, embora já começamos a ver alguns exemplos de migração em alguns operadores de telefonia móvel.

Temos bons níveis de pedidos de prefixos e redes para o IPv6, mas ainda faltam mais casos de estudo e uso bem-sucedidos do IPv6. E não basta simplesmente com designar ou atribuir blocos do IPv6, mas, na verdade usá-los realmente em serviços públicos e em produção.

Em relação ao novo desafio que acaba de tomar. O que motiva você a desempenhar esse papel na comunidade?

O fato de continuar mantendo a nossa região em níveis aceitáveis de uso, além do interesse em contribuir de alguma forma com essa evolução natural da Internet. A participação entusiástica de todos e todas.

Que coisas ainda precisam ser feitas para acelerar a implementação?

Tal vez a Internet das coisas será a “killer application” que estávamos esperando para acelerar a implementação do IPv6 ao fazer ver a necessidade de usar melhor o IPv6 que continuar usando o IPv4 em novos usos e dispositivos.

Que opina você sobre o processo de esgotamento do IPv4 e o alcance das diferentes fases?

Que estão sendo levadas de forma bastante natural, de acordo às características da nossa região, mas devemos continuar participando nas discussões das políticas atuais, não apenas das locais, mas também de aquelas de outras regiões que poderiam ter efeitos sobre as mesmas fases.

As fases a nível regional devem ser contextualizadas em cada país e usuário final para realmente poder perceber o seu impacto.