A criação desta seção é uma iniciativa dos integrantes de lactf@lac.ipv6tf.org. O objetivo é aportar à Comunidade possíveis respostas para algumas das perguntas que todos os que trabalhamos ou estamos prestes a trabalhar com IPv6 fazemo-nos em algum momento, independentemente de ser ISP, pertencer ao âmbito acadêmico ou governamental ou ser usuário final.
O FAQ está formado pelos seguintes seis grupos de perguntas:
- Relacionadas às empresas de telecomunicações e aos ISPs
- Relacionadas aos desenvolvedores de software e aplicações
- Relacionadas aos governos
- Relacionadas a organizações não governamentais
- Relacionadas a usuários finais
- Relacionadas com aspetos gerais
As perguntas serão tratadas uma a uma na lista de discussão e as respostas serão publicadas nesta seção.
Se você estiver interessado em participar da discussão da FAQ ou simplesmente pretende seguir de perto a sua construção, assine a lista do IPv6 da América Latina e o Caribe https://mail.lacnic.net/mailman/listinfo/lactf.
Perguntas do Grupo 1: Relacionadas às empresas de telecomunicações e aos ISPs
Resposta: O endereçamento de 128 bits de IPv6 permite que qualquer ISP de forma imediata, satisfaça suas demandas atuais (enquanto se prepara para enfrentar as necessidades futuras) em relação ao volume de usuários a ser conectado à Internet. Da mesma forma possibilita simplificar a rede do ISP já que não vai necessitar a implementação intensiva de NAT dentro de suas redes (como acontece com IPv4) e portanto a infra-estrutura toda pode operar de forma transparente de um extremo ao outro. Um desdobramento rápido de IPv6 permite aos provedores administrar o tráfego gerado pelos mecanismos de transição a IPv6, incluídos em vários dos Sistemas Operacionais mais usados, com a maior eficiência possível.
Em matéria de competitividade, aqueles ISPs que implementarem IPv6 poderão satisfazer a demanda desse tipo de conectividade por parte de seus usuários (tanto hoje quanto no futuro); e ao obter experiência e prestígio no assunto, poderão assimilar setores de mercados provenientes de outros provedores e conectar a outros setores emergentes. Conseqüentemente poderão participar desde o começo no desdobramento de novas aplicações e serviços que possam decorrer do emprego maciço de tecnologias afins ao IPv6 tais como 3G; tudo o que permitiria fomentar novas oportunidades de negócios.
Resposta: No caso de IPv6, podem ser adotadas múltiplas estratégias para minimizar os custos da transição de redes IPv4 para redes IPv6. Em particular para os ISPs, a atualização da infra-estrutura pode não ser um grave problema já que por vários motivos, os equipamentos são atualizados a versões mais completas do Sistema Operacional, pelo que, com certeza, já existe uma capacidade IPv6 instalada nos equipamentos de Core, que de forma paulatina devem ser removidos para as outras partes da rede, tudo isso dentro do mesmo planejamento de atualização de equipamentos. Por tal motivo os custos não correspondem exclusivamente à implementação de IPv6.
A essência encontra-se em investir uma quantia de dinheiro de forma gradativa (aproveitando a renovação natural das redes, as ampliações, etc.) durante o tempo que durar uma transição bem desenhada e ordenada. Se o processo for feito de forma gradativa, poderá resultar economicamente aceitável para a grande maioria dos ISPs. (É somente incluir IPv6 nos seus planos de desenvolvimento como uma tecnologia a ser solicitada).
Os ISPs têm na atualidade um papel principal na adoção de IPv6 junto com os fabricantes. Por isso, é necessário que os primeiros exijam do fabricante suporte para o novo protocolo e dessa forma conseguir convertê-lo em um padrão no mercado.
No referente aos custos da capacitação, não há como eliminá-los, o cenário é idêntico ao de qualquer nova tecnologia que surge no mercado variando esses em função do tamanho e complexidade da rede na que se estiver implementando.
Resposta: No referente aos custos para ISPs, IXPs, Carriers ou grandes provedores (por chamá-los de alguma forma) de acesso, interconexão ou transporte, se for realizada a mudança natural de equipamentos e atualizações de software que com certeza todos esses atores têm incluída como parte de sua gestão e funcionamento normais, os custos não são muito altos em relação aos existentes para IPv4. Em alguns casos podem variar um pouco dependendo de se possuem contratos de suporte que incluam as atualizações de sistemas operacionais ou não, e de que tão antigos ou novos são os equipamentos no que refere ao hardware.
Do outro lado, existe um mercado do qual talvez devemos fazer uma menção especial: o mercado residencial ou de “última milha” (incluindo em muitos casos também, os equipamentos de agregação, mas fazendo especial ênfase nos equipamentos de “usuário final”). Neste último setor encontramos hoje uma clara carência de equipamentos com suporte para IPv6. Principalmente quando nos referimos aos routers residenciais, nos que apenas algumas marcas têm implementado suporte para IPv6 ou alguma das tecnologias de transição e em muitos casos ficou necessário o uso de versões de sistemas operacionais de terceiros, não abalados pelos próprios fabricantes. Inclusive existe equipamento que funcionando apenas a nível da camada 2 (bridges, modens ADSL, etc.) apresenta problemas na hora de utilizar protocolos relativos a IPv6 como auto-configuração, etc. Tudo isso poderia requerer a compra de equipamento com características superiores às necessárias para esse tipo de aplicações domésticas e conseqüentemente um custo maior.
Os custos por equipamento em cada país vão depender dos fornecedores locais de tecnologia. É possível procurar informação de preços acessando as páginas web dos principais provedores da região ou perguntando diretamente aos próprios provedores de equipamento.
Resposta: Se não for considerado o IPv6 nos investimentos a serem realizados na atualidade, poderia estar se realizando um mau investimento já que o que não for previsto agora vai se transformar em um novo gasto no futuro.
Nem todas as marcas de equipamentos de rede incluem as novas características, e, nos casos em que sim estiverem incluídas, o custo do produto costuma ser maior.
Se não for previsto e escolhido corretamente neste momento, teremos um problema na hora de implementar IPv6 como um serviço, já que vamos ter de renovar nesse momento o software de todos aqueles equipamentos de nossa rede que não o suportem. Isso com certeza vai implicar um gasto maior que se fosse realizado de forma gradativa desde agora.
Por esses mesmos motivos também podemos estar comprometendo o avanço tecnológico de nossas empresas ou instituições, perdendo a possibilidade de oferecer ou receber um conjunto de novos serviços baseados no IPv6.
Um assunto que é tratado separadamente é o das aplicações, que será considerando em uma seção especial.
Resposta: Acreditamos que sim, mas também é necessário que esse processo esteja acompanhado de publicidade que apresente as vantagens que as aplicações e produtos oferecem hoje ao ISP, em prol de benefícios futuros para os usuários finais. O usuário final não necessariamente terá interesse em conhecer a tecnologia por dentro. Ele vai querer conhecer a efetividade do seu cometido e, principalmente, os serviços de valor agregado.
Os ISP ou carriers vão fazer um esforço em conectar os usuários na última milha sempre que houver negócio, isto é, que houver um motivo para mudar alguma coisa e, se for o caso, que possam ser amortizados os investimentos realizados. IPv6 pode contribuir para isso tudo, ajudando os ISP/carriers à gestão de seus equipamentos e proporcionando as condições adequadas para o desenvolvimento de novos serviços (exemplo disso são a operadora de TV a cabo Comcast que usa IPv6 para administrar seus equipamentos ou o serviço SCOOP de NTT no Japão).
Perguntas do Grupo 2: Relacionadas aos desenvolvedores de software e aplicações
Resposta: Não é possível estimar o investimento desde um ponto de vista genérico devido a que vai depender de vários fatores, tais como:
- arquitetura da aplicação
- tecnologias usadas
- qualidade do código fonte
- capacitação do pessoal
- sistemas operacionais
- arquitetura de rede
No entanto, em cada caso particular poderá ser feita uma estimativa do investimento necessário conforme os fatores correspondentes. Como recomendação geral, é conveniente pensar na intervenção de uma equipe multidisciplinar já que isto não envolve somente o conhecimento de programação mas também questões referentes à tecnologia IP, sistemas operacionais, etc.
Resposta: Todas as aplicações (independente de sua complexidade, tecnologia, funcionalidade e alcance) que usem o protocolo IP para comunicar-se numa rede podem, em princípio, ser atualizadas e portanto devem ser submetidas a um processo de revisão e análise. Assim mesmo devem levar-se em conta todas aquelas aplicações que armazenem, administrem ou usem endereços IP por qualquer motivo afastado da comunicação (ex. blogs, simuladores de rede ou de processos que se executem sobre redes IP, aplicações que gerem e/ou processem traças contendo endereços IP, ferramentas para DNS, entre outras).
Desde o começo podem ser excluídas da análise todas aquelas aplicações que ora por seu ciclo de vida ora por obsolescência tecnológica, sejam consideradas que vão sair do serviço no curto prazo.
Resposta: Sim, existem ferramentas que podem nos ajudar na atualização das aplicações para que estas funcionem sobre IPv6. No entanto, é importante salientar que estas não atualizam as aplicações de forma direta. Elas ajudam a identificar as linhas de código (Estruturas de Dados, Funções) que necessitam ser atualizadas para que as aplicações funcionem sobre IPv6, ou melhor, para que funcionem com ambas versões do Protocolo Internet. Na seção "Actualización de Software" deste portal, há disponível uma lista de algumas aplicações e/ ou documentos em geral, que podem servir de referência na hora de atualizar software para suportar IPv6.
Resposta:Considerando que a maioria das redes e implementações com IPv6 está numa fase de coexistência entre ambas versões do IP, para uma grande percentagem das implementações e aplicações o melhor é, caso tenham acesso ao código fonte, fazer as modificações no código (estruturas, funções, etc.) para que sejam independentes da versão do protocolo. Caso contrário, para dar serviço a usuários com ambas versões do IP, deve-se implementar o mecanismo menos recomendado que é o da tradução, que dependendo do cenário, pode ser desde a camada de rede até a da aplicação.
Além disso, devemos considerar as novas facilidades que nos oferece o IPv6 na hora de desenvolver as aplicações. Por exemplo, não apenas os computadores poderiam ter um endereço IP público. Também uma grande variedade de dispositivos poderiam ter esse tipo de endereços (entre eles geladeiras, equipamentos de ar condicionado, iluminação, etc).
Poder-se-ia prescindir de NAT e conseqüentemente as aplicações poderiam se comunicar entre sim de forma direta de extremo a extremo (ou de aplicação a aplicação) superando as limitações que hoje estão associadas ao uso de endereços privados e NAT.
IPv6 permite implementar de una forma mais simples a mobilidade de endereços IP, o que representa uma vantagem adicional. As aplicações podem se valer dos mecanismos de auto-configuração para acessar ou contatar outros dispositivos.
Em relação aos desenvolvedores, para que possam explorar as capacidades do IPv6, precisam conhecer as características do protocolo: daí a importância que a capacitação na nova versão do protocolo e suas diferenças com o IPv4 tem, além de conhecer as mudanças necessárias para a portabilidade das aplicações.
Em resumo, para conseguir aplicações que usem as vantagens do IPv6, essas têm que ser desenhadas (ou transformadas convenientemente) pensando no IPv6. Isto é, a aplicação deve ser pensada de modo que possa usar de forma eficiente as características do IPv6 (auto-configuração, mobilidade, ipsec, etc.) requeridas para cumprir com o objetivo para o qual a aplicação foi concebida, sem perder compatibilidade com redes IPv4 (caso for necessário) e deixando independente, sempre que possível, a aplicação dos protocolos da camada 3.
Perguntas do Grupo 3: Relacionadas aos Governos
Respuesta: Sim, os Ministérios das Comunicações ou outras entidades governamentais relacionadas com a promoção e/ ou adoção de tecnologias de redes podem e deveriam promover o uso de IPv6 entre outras tecnologias e/ ou serviços que permitam o desenvolvimento de seu país e da região em geral, contribuindo assim à redução da chamada brecha digital. Isso pode ser realizado fomentando a adoção do IPv6 por parte das administrações públicas e dentro da infra-estrutura de ISPs sob administração do estado, facilitando a implementação do IPv6 por parte dos outros ISPs, realizando atividades de treinamento e difusão, incentivando o uso do IPv6 dentro de novos projetos tecnológicos, financiando projetos de pesquisa e desenvolvimento relacionados com o IPv6 e promovendo a adoção do mesmo nas redes de Pesquisa e Educação do país como base de provas, entre outras alternativas.